
Diante do aumento expressivo de casos e internações por doenças virais e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a Prefeitura de Montes Claros decretou situação de emergência em saúde pública. A medida foi oficializada por meio do Decreto Municipal nº 5.249, publicado no dia 15 de abril, e já está em vigor. O decreto tem validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogado conforme a evolução do cenário epidemiológico. Com a decisão, o município passa a adotar medidas excepcionais para reforçar a capacidade de atendimento da rede pública de saúde.
Entre as ações previstas estão a reorganização dos serviços municipais e da rede conveniada, além da possibilidade de contratação emergencial de profissionais, ampliação da carga horária e pagamento de horas extras para equipes consideradas essenciais. O decreto também autoriza a compra de insumos, medicamentos e serviços com dispensa de licitação, agilizando o enfrentamento da situação.
Durante o período de emergência, unidades hospitalares que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) deverão priorizar leitos clínicos com suporte ventilatório e vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com SRAG.
A médica infectologista Izabela Bretas explica que as doenças respiratórias possuem comportamento sazonal: com a queda de temperatura e chegada do inverno, a circulação do vírus aumenta bastante. “Esse fator favorece o aparecimento de doenças das vias respiratórias: faringite, resfriados, gripe, sinusites e pneumonias. A população deve ficar vigilante em relação ao aparecimento de sintomas como tosse, dor de garganta, nariz entupido, febre, falta de ar, cefaleia, por serem os achados mais comuns de surgirem nestes casos. É importante utilizar máscaras em ambientes públicos quando houver sintomas como esses, adotar medidas como ‘etiqueta respiratória’, que consiste em tampar nariz e boca ao tossir ou espirrar, preferencialmente com um lenço descartável ou roupa, além de aumentar a frequência do uso de álcool gel 70% nas mãos. Na presença de sintomas, também é importante buscar atendimento médico para avaliação e coleta de exames diagnósticos, além de buscar por prescrição de medicação sintomática se necessário”, explica.
Para a infectologista, a vacinação contra vírus respiratórios como influenza e covid-19 reduz as chances de doenças graves e complicações das doenças relacionadas à infecção viral. Com isto, reduz as internações, a necessidade de oxigenioterapia e ventilação médica, além de reduzir os óbitos e sequelas.
Um alerta importante é destacado pela médica infectologista. “Pessoas que não melhoram a febre após o quinto dia de doença, que apresentam falta de ar, cor azulada nos lábios, redução no volume de xixi, queda da pressão arterial ou alteração do nível de consciência, como confusão mental, devem ser avaliadas por profissional de saúde para garantir o melhor tratamento possível destas alterações”, completa Izabela.
Nívea Isabel, mãe do pequeno Brian de cinco anos, explica que, com esse aumento dos casos de síndrome respiratória, ela redobra os cuidados em casa. “A gente sabe que a prevenção é o melhor caminho, então não abro mão da vacinação, fundamental para proteger não só a mim, mas também a meu filho e minha mãe que já tem a idade avançada. Também passei a utilizar álcool em gel com mais frequência, principalmente quando saio ou chego da rua, e procuro manter os ambientes sempre bem ventilados. Evito lugares muito cheios e tenho orientado toda a família a fazer o mesmo. Meu objetivo é justamente não precisar recorrer ao sistema de saúde, que já está começando a ficar sobrecarregado, nem enfrentar hospitais lotados. Acredito que, com responsabilidade e prevenção, conseguimos cuidar da nossa saúde e ajudar a diminuir a pressão sobre os serviços de atendimento”.
