
Nesta semana, a Secretaria Municipal de Saúde de Montes Claros confirmou a presença do vírus da raiva em três morcegos encontrados mortos na cidade. Os animais foram localizados nas regiões dos bairros Maracanã, São José e Morada do Sol e, após análise laboratorial, tiveram resultado positivo para a doença. Este é o segundo registro do vírus da raiva em morcegos no município apenas em 2026.
O primeiro caso foi divulgado em fevereiro, quando outros dois morcegos também testaram positivo. Os animais foram encontrados nos bairros Maracanã e Monte Alegre.
Por precaução, a Secretaria de Saúde, por meio do setor de Zoonoses, está convocando tutores de cães e gatos (a partir dos três meses de idade) para reforçarem a vacina contra a raiva. Do dia 9 ao dia 13 de março, das 8h às 16h, a vacinação será realizada nos seguintes locais: praça principal do bairro Maracanã, praça do bairro Alterosa e, no bairro São José, na praça da Igreja Santa Clara.
A orientação é que, ao encontrar morcegos caídos, doentes ou mortos, as pessoas não devem tocar ou tentar recolher o animal. A recomendação é acionar imediatamente os órgãos de saúde para que equipes especializadas realizem o recolhimento e os procedimentos necessários seguramente.
SOBRE O VÍRUS
A raiva é uma doença viral grave que pode ser transmitida aos seres humanos por meio da saliva de animais infectados, principalmente por mordidas ou arranhões. A vacinação de cães e gatos continua sendo uma das principais formas de prevenção e controle da doença.
A médica infectologista Cláudia Biscotto afirma que a doença é considerada a mais letal que existe, pois a porcentagem de mortes é de praticamente 100%. “No ser humano, a raiva se manifesta de forma parecida com uma virose comum — febre, mal-estar e dor de cabeça — e, na fase mais avançada, a pessoa começa a ficar mais agitada e confusa, podendo apresentar convulsões e espasmos musculares. Também desenvolve um sintoma chamado hidrofobia, sendo a aversão à água. Então, se a pessoa tenta beber água ou se ela cai em alguma parte do corpo, a pessoa começa a ter espasmos e confusões que podem se intensificar, levando-a a óbito”, explica a médica.
Biscotto ainda esclarece que, no caso dos morcegos, eles não precisam necessariamente morder o ser humano para transmitir a doença. “Ele é um animal que tem o hábito de lambedura. Então, se a pessoa tocar em algum local, pegar o bicho morto ou se ele passar dando um voo rasante, mesmo sem a certeza de que o morcego a tocou, mas se ela viu algum próximo, é preciso procurar um hospital e tomar a vacina e o soro antirrábico”, conclui a especialista.
De acordo com o Ministério da Saúde, o último caso de raiva humana em Minas Gerais foi registrado em 2023, na cidade de Mantena. Um produtor rural de 60 anos contraiu o vírus após contato com um bovino doente.
