Cuidado infantil

Minas Gerais lidera ampliação do teste do pezinho e protege mães e bebês

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 14/04/2026 às 19:00.
Bruna Myata com o filho recém nascido Joaquim. “Teste do pezinho me deixou mais tranquila” (arquivo pessoal)
Bruna Myata com o filho recém nascido Joaquim. “Teste do pezinho me deixou mais tranquila” (arquivo pessoal)

Minas Gerais deu um passo importante na saúde de mães e bebês, a partir da Lei Federal proposta para a ampliação do “teste do pezinho”. O Estado foi o primeiro a aderir à iniciativa, dentro do programa de saúde neonatal do SUS-MG.

Mãe de primeira viagem, Bruna Myata relata que já na gestação foi orientada pela pediatra sobre a necessidade de fazer o teste, e assim que veio ao mundo, o recém-nascido Joaquim foi levado à unidade básica de saúde para a triagem neonatal. “Fomos tratados com muito carinho. Duas pessoas ficaram conosco. Uma ficou com ele no colo, tentando acalmá-lo e ensinando como fazer para aliviar as cólicas e deixá-lo confortável. Depois do resultado, fiquei mais tranquila, sabendo dessa gama de doenças que podem ser identificadas a partir de um simples teste”, contou Bruna.

A triagem neonatal ampliada é ofertada nas unidades de saúde dos 853 municípios mineiros para garantir diagnóstico precoce e proteção aos bebês. De acordo com o médico pediatra Itagiba de Castro Filho, o teste do pezinho detecta muitas doenças classificadas como erros inaptos do metabolismo, algumas doenças infecciosas e genéticas ou hereditárias. Até o ano de 2021, a triagem detectava o hipotireoidismo congênito, fenilcetonúria, doença falciforme, fibrose cística, deficiência de biotinidase e hiperplasia adrenal congênita. “A partir de janeiro de 2022, passou a ser realizado para 14 doenças, tendo sido acrescidas outras seis, completando um total de 20 doenças. O chamado teste ampliado, a partir de 2023, passou a diagnosticar mais três doenças: atrofia muscular espinhal (AME), imunodeficiência primária combinada grave e a gamaglobulinemia. Foram incluídas mais 37 doenças a serem diagnosticadas, num total de 60 doenças”, explica Itagiba.

Entre as doenças mais comuns identificadas por meio do teste, está o hipotireoidismo congênito, cujo tratamento é feito com o uso regular do hormônio da tireoide. Em seguida, a fenilcetonúria, tratada com a exclusão de certos nutrientes na dieta da criança. Já a anemia falciforme pode ser tratada com alguns medicamentos, mas somente para alívio das crises dolorosas e, em casos muito graves, o transplante de medula óssea. Quanto à fibrose cística, o tratamento é voltado para fluidificar secreções pulmonares, tratar infecções secundárias frequentes e repor enzimas pancreáticas, já que acomete também o trato digestório, conforme explicou o pediatra. “A recomendação é que o teste seja efetuado entre o terceiro e o quinto dia de vida”, destacou o médico.

A dinâmica do teste, segundo o profissional, é semelhante a uma injeção, como em algumas vacinas. “É feita uma punção com agulha na região do calcanhar do recém-nascido, coletando-se uma gota de sangue. O resultado sai em um prazo necessário para evitar sequelas graves, danos diversos ao organismo e até mesmo a morte”, frisou. O pediatra ainda faz um alerta importante relacionado ao tempo de espera por resultados. “Quando negativo, pode demorar muito tempo, por isto mesmo deve ser orientado às famílias que, se estiver demorando, é porque provavelmente é negativo”, tranquiliza.

O Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico — FM da UFMG (NUPAD) disponibiliza os resultados do teste do pezinho na internet para as unidades de saúde onde foi realizada a coleta. Quando positivo, os pais são informados e chamados para ser realizada nova coleta de sangue para confirmação ou não da suspeita. O exame deve ser repetido sempre que der positivo ou quando suspeitado, pelo pediatra que acompanha a criança.

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