
Com a elevação das temperaturas e a ocorrência de períodos chuvosos, aumenta a atenção para a presença de escorpiões em ambientes urbanos. O calor e a umidade criam condições favoráveis à circulação desses animais, que podem encontrar abrigo em entulhos, materiais de construção, ralos, frestas e outros locais próximos às residências.
De acordo com dados do Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), referência em atendimento de vítimas de animais peçonhentos no Norte de Minas, somente nos sete primeiros meses deste ano, foram registrados 1.552 atendimentos a vítimas de picadas de escorpião. Os meses de abril e maio concentraram os maiores números de atendimentos neste ano, com 274 e 265 casos, respectivamente. Somados, os dois meses representam 34,7% de todas as ocorrências registradas pelo hospital nos sete primeiros meses de 2026. Em seguida aparecem julho, com 226 registros; fevereiro, com 198; junho, com 199; janeiro, com 197; e março, com 193.
Segundo o médico Deivisson Machado, em caso de picada, a recomendação é procurar atendimento médico o mais rápido possível, principalmente quando a vítima é uma criança ou apresenta sintomas além da dor no local. Ainda de acordo com o especialista, o atendimento precoce é fundamental para avaliar a gravidade do acidente e indicar o tratamento adequado.
“O tratamento depende da gravidade do acidente e dos sintomas apresentados pelo paciente. Inicialmente, a equipe médica avalia sinais como intensidade da dor, alterações nos batimentos cardíacos, pressão arterial, vômitos, sudorese e alterações neurológicas. Nos casos leves, o tratamento é principalmente de suporte, com controle da dor e observação. Já nos acidentes moderados ou graves, especialmente envolvendo crianças, pode ser necessário o uso do soro antiescorpiônico, além de monitoramento hospitalar e outras medidas para controlar as manifestações do envenenamento. Por isso, é fundamental que a vítima procure atendimento médico o mais rapidamente possível e não tente tratar a picada em casa”, pondera o especialista.
Na casa do técnico em informática, Victor Naka, no bairro Alcides Rabelo, era recorrente a aparição de grandes quantidades de escorpiões. Ele alega que mesmo dedetizando o local, os bichos ainda apareciam.Ele credita, a infestação aos lotes abandonados próximos à sua residência.
“Meu medo era mais pelos meus cachorros – tenho quatro. Digo que virei especialista em escorpião, porque a noite era uma verdadeira caça. Mesmo com cinco dedetizações a aparição era frequente. Hoje reduziu, mas, é constante minha vigilância: também fui atrás dos proprietários dos terrenos para que a limpeza fosse feita”, relata o morador.
DADOS
Apesar do número elevado de ocorrências, os registros acumulados em 2026 até julho estão abaixo dos observados no mesmo período dos dois anos anteriores. Entre janeiro e julho de 2024, o HUCF contabilizou 1.735 casos. No mesmo intervalo de 2025, foram 1.644 atendimentos. Já em 2026, o número chegou a 1.552.
