
Em comemoração ao Julho Verde, mês que celebra a conscientização sobre câncer de cabeça e pescoço, a equipe de odontologia do Centro Universitário Funorte/FASI promoveu uma ação educativa aberta ao público que esteve nesta última segunda-feira (27), no Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR). Os cânceres de cabeça e pescoço incluem os tumores da cavidade oral, laringe, faringe, cavidade nasal, seios paranasais, glândulas salivares e nasofaringe. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que o Brasil deverá registrar, entre 2026 e 2028, mais de 17 mil casos de câncer da cavidade oral e mais de 8 mil de câncer de laringe. Em 2023, foram registrados aproximadamente 12 mil óbitos, somados os tipos de câncer de cabeça e pescoço.
Danielly Ribeiro, coordenadora do Núcleo de Educação e Ensino Permanente em Saúde (Neeps), ressalta que a iniciativa integra o estágio de inverno e tem foco principalmente na prevenção. “Os acadêmicos, que já aprenderam práticas no cuidado com a saúde bucal, repassam esse conhecimento hoje para a população, com a coordenação geral da equipe utilizando maquetes confeccionadas para esse objetivo”, explicou.
A barbeira Lucinéia Brito Gonçalves foi ao hospital para uma consulta oftalmológica, mas ao ver a tenda, parou para assistir às explicações da equipe. “Eu me comovi, porque perdi um amigo há dois meses com esse câncer. Ele tinha só 39 anos. Ficou uma semana cuidando como se fosse afta, mas não melhorava. Quando fez a biópsia, constatou-se o câncer e morreu em quatro meses da doença. A gente tem que buscar o conhecimento e passar adiante”, comentou.
De passagem pelo hospital, a aposentada Elizabeth Borges Pereira, de São João da Ponte, fez questão de assistir à palestra. “Para mim, foi uma aula e tanto. Eu não sabia distinguir as lesões. Aprendi a diferenciar e muito mais coisas”, disse.
Coordenadora da ação, a odontóloga Cristina Durães, especialista em prótese bucomaxilofacial, que fez as maquetes para o projeto, destacou que há dois pontos essenciais que merecem ser lembrados. “Quando a pessoa se torna responsável pela sua saúde e entende isso, ela se torna multiplicadora. Outro ponto é que o câncer, quando descoberto no início, tem cura”, afirmou. A dentista explicou ainda que o processo de reabilitação é extremamente importante para devolver a autoestima ao paciente, e quem faz isso é o dentista. “O câncer sólido, de cabeça e pescoço, a primeira escolha do médico, o padrão ouro, é a cirurgia. Então ele tira o câncer com uma margem de segurança. Se é muito grande, o paciente vai perder muito. Às vezes o olho inteiro, o olho e uma parte, ou a orelha, por isso a gente faz a reabilitação. A descoberta precoce, além da cura, tem a diminuição dos danos”, explica.
Izabella Feitosa, acadêmica do 10° período de odontologia da Fasi/Funorte, destaca que, por meio da maquete de face, os alunos têm a oportunidade de instruir a população sobre as diferenças entre lesões normais e cancerígenas em todas as áreas do rosto e pescoço. “A lesão assimétrica, com bordas irregulares, de coloração e diâmetros que sofrem alterações, são sinais de alerta”, disse, acrescentando que o período previsto para observar se houve alguma alteração quando do surgimento de lesões é de cerca de 15 dias. Sobre o estágio de inverno, ela declara que representa muito. “Tem um peso enorme na questão da experiência. Uma experiência que a gente não tem na faculdade e aqui a gente consegue ter acesso ao paciente. Além da oportunidade de desenvolver-se como acadêmico, é muito relevante para o currículo”, conclui.
