Pressão sob controle

Hipertensão atinge 30% dos adultos e exige prevenção contínua

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 22/04/2026 às 19:00.Atualizado em 22/04/2026 às 22:11.

Celebrado em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial chama atenção para um problema que atinge cerca de 30% dos adultos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Silenciosa, a doença está entre as principais causas de problemas cardiovasculares e, quando diagnosticada tardiamente, pode provocar alterações significativas no organismo e dificultar o tratamento.

“Estava infartado há dois anos e não sabia”, brinca o gerente comercial Bruno Barbosa, que só descobriu a hipertensão quando foi levado às pressas para o hospital e passou por uma cirurgia cardíaca. “Estou controlado hoje, mas tomo oito remédios diariamente, de manhã e à tarde. E mudei meus hábitos. Não fosse isso, não sobreviveria”, relata Bruno Barbosa.

Também foi por acaso que a dona de casa C.R., aos 64 anos, descobriu a hipertensão. “Fui à unidade de saúde para fazer um procedimento no dente. Tomei um remédio antes e me senti mal. Por ser muito alérgica, achei que era consequência do remédio. Fui levada à UPA, fiz raio-x do tórax, cardiograma e um exame que identifica o risco de infarto. Aparentemente, os exames estavam normais, mas a pressão foi monitorada e chegou a 19”, conta.

Ela diz que até então nunca havia tomado remédio para pressão e se assustou. “Os médicos aplicaram dois medicamentos. Mesmo assim, ficava em torno de 16, então acrescentaram mais um. Hoje faço uso diário dos três e não posso parar. Se puder dar um conselho, é: tenham hábitos saudáveis, controlem o peso e façam atividade física. Nunca imaginei que teria que usar remédio para o resto da vida”, declara.

De acordo com o cardiologista Wille Dingsor, do Laboratório de Ciências Cardiovasculares da Unimontes, os fatores de risco se dividem em duas categorias, a de modificáveis, “quando é possível modular para favorecer o acompanhamento, minimizando os resultados negativos da pressão alta”, e os não modificáveis, que são idade e genética. “Tem pessoas com herança familiar de hipertensos e a tendência é se tornar hipertensa também. E quanto à idade, quanto mais velho, mais propenso”, diz.

O médico pondera que, nesse último caso, não necessariamente a pessoa está sentenciada a ter o problema e é nesse momento que entra o papel dos modificáveis. “O tabagismo, etilismo (álcool), sedentarismo, má alimentação, estresse crônico, sono ruim e uso de medicações que podem aumentar a pressão arterial, se forem tratados, desaceleram a hipertensão. Uma vez diagnosticado, vamos trabalhar as medidas não medicamentosas, incentivando a modificação dos hábitos”, explica o médico. Entre as indicações para tratar a hipertensão, a perda de peso tem um papel preponderante. “A cada quilo que o indivíduo perde, isso impacta positivamente na pressão arterial”, acentua. Além disso, cessar o tabagismo, melhorar o padrão alimentar, com uso moderado de sal, e encontrar estratégias para reduzir o estresse, contribuem para manter o controle. “Com o passar do tempo, muitos pacientes precisam acrescentar mais remédios, mas existem casos em que a pessoa mantém o tratamento não farmacológico tão adequado que é possível manter o 
esquema inicial da medicação”, pontua.

O cardiologista ressalta que a tabela de hipertensão tem níveis de escala. Dentro desse contexto, o índice 12/8, tido por muitos anos como o mais indicado, sofreu alteração. “Encostar no 12/8 já é considerado pré-hipertenso. Não significa que a pessoa vai tomar remédio, mas sim que vai ficar mais ativa nas medidas não farmacológicas para tentar abaixar essa pressão e ter menos risco cardiovascular”. A longo prazo, a hipertensão causa danos em tecidos e órgãos, como o coração, rins, olhos e cérebro. Entre as doenças mais graves resultantes da hipertensão estão o infarto e o AVC.

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