
O Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR), em Montes Claros, está entre as instituições contempladas com recursos federais destinados ao fortalecimento da assistência hospitalar diante do aumento dos casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) no Norte de Minas. A medida integra um aporte superior a R$ 7 milhões liberado pelo Ministério da Saúde para a manutenção de leitos de terapia intensiva e suporte ventilatório na região.
Outro hospital da cidade também consta no projeto — cada um receberá parte dos recursos destinados ao custeio de 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, sendo dez leitos em cada instituição. Juntas, as duas unidades contarão com mais de R$ 3,2 milhões para a manutenção dos serviços durante um período de três meses.
Em abril, a Secretaria Municipal de Montes Claros divulgou o decreto nº 5.249, declarando Situação de Emergência em Saúde Pública. A iniciativa se deu em virtude do aumento de casos e internações por Doenças Infecciosas Virais e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
“Pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, devem ter atenção redobrada nesse período. Em muitos casos, pode ser necessário ajustar o tratamento, seja por meio da otimização da terapia inalatória, reforço na adesão medicamentosa ou revisão do plano de ação para exacerbações. O acompanhamento médico regular é fundamental para prevenir descompensações e reduzir o risco de internações. Diante de sintomas persistentes ou agravamento do quadro respiratório, a orientação é sempre buscar avaliação médica para diagnóstico preciso e tratamento adequado”, destaca Daniel Abolafio, médico pneumologista do Hospital Mário Ribeiro.
A liberação dos recursos foi definida por meio de decisões aprovadas nas instâncias regional e estadual da Comissão Intergestores Bipartite do Sistema Único de Saúde e tem como objetivo ampliar a capacidade de atendimento aos pacientes acometidos por síndromes respiratórias, especialmente crianças que necessitam de cuidados intensivos.
A superintendente regional de Saúde de Montes Claros, Dhyeime Marques, destaca que o investimento é fundamental para garantir uma resposta mais eficiente diante do cenário epidemiológico atual. “Esse aporte de mais de R$ 7 milhões é fundamental para fortalecer a assistência hospitalar diante do aumento dos casos de síndromes respiratórias no Norte de Minas. A ampliação de leitos de UTI pediátrica, adulta e suporte ventilatório garante mais capacidade de atendimento e mais segurança para a população da nossa região”, afirma.
Segundo a Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros, os recursos destinados aos dois hospitais da cidade foram autorizados pela Portaria nº 11.431, publicada pelo Ministério da Saúde, atendendo solicitação do município de Montes Claros, que possui gestão plena da saúde.
Além dos investimentos em Montes Claros, o Ministério da Saúde também destinou mais de R$ 3,8 milhões para unidades hospitalares de Janaúba. A Fundação de Assistência Social de Janaúba (Fundajan) receberá mais de R$ 2,2 milhões para custear dez leitos de UTI pediátrica e 15 leitos de suporte ventilatório. Já o Hospital Regional de Janaúba contará com R$ 1,6 milhão para a manutenção de dez leitos de UTI destinados ao atendimento de pacientes adultos.
SÍNDROME RESPIRATÓRIA
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), os investimentos ocorrem em um momento de alerta para a região. Dados da (SES) apontam que o Norte de Minas já registrou, neste ano, 1.530 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave e 39 óbitos relacionados à doença.
Entre os casos registrados, 480 internações envolveram crianças com idade entre um e nove anos, enquanto 453 hospitalizações foram de idosos com mais de 60 anos. A maior parte dos óbitos também ocorreu nessa faixa etária.
Diante desse cenário, as autoridades de saúde reforçam a importância da vacinação contra a gripe, especialmente para idosos, crianças, gestantes e demais grupos prioritários. Até o fim de maio, mais de 248 mil pessoas já haviam sido imunizadas nos 86 municípios da macrorregião Norte de Minas, mas a cobertura vacinal entre os grupos prioritários ainda permanece abaixo de 40%.
