
Nesta semana, o Norte de Minas Gerais começou a receber a primeira remessa do nirsevimabe, um imunobiológico de ação prolongada destinado à proteção de recém-nascidos prematuros e crianças com condições clínicas especiais contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal responsável por casos de bronquiolite e internações infantis. O Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR), em Montes Claros, está entre as primeiras instituições beneficiadas. Ao todo, 766 doses do medicamento estão sendo distribuídas ao Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE) Regional de Montes Claros, que repassará o insumo a outros hospitais da região.
A enfermeira obstetra do HCMR, Nayara Mendes Ruas Cardoso, explica que a chegada do nirsevimabe representa um avanço enorme na proteção dos bebês, especialmente dos prematuros e das crianças mais vulneráveis “Estamos falando de um imunobiológico que atua diretamente na prevenção da bronquiolite, uma doença que pode evoluir de forma grave e levar à internação e até à UTI neonatal. Para nós, profissionais de saúde, isso é mais do que um novo medicamento: é uma ferramenta de cuidado, de prevenção e de garantia de mais segurança para as famílias. Receber essa remessa no hospital é motivo de muita alegria e responsabilidade, porque sabemos o impacto real que isso terá na vida das crianças e na tranquilidade das mães e dos pais”, diz.
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal humano, de longa duração, que oferece proteção imediata contra o vírus sincicial respiratório. Até então disponível apenas em clínicas particulares, com custo entre R$ 2,6 mil e R$ 3,5 mil por dose, o imunobiológico foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em fevereiro de 2025, por decisão do Ministério da Saúde.
Além das instituições norte-mineiras, outras 20 maternidades em diferentes regiões de Minas Gerais também estão sendo contempladas com o recebimento do imunizante. O anticorpo é indicado para bebês prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e seis dias, e para crianças menores de 24 meses que apresentem condições clínicas especiais, como cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica da prematuridade, imunocomprometimento grave inato ou adquirido, síndrome de Down, fibrose, anomalias congênitas das vias aéreas, além de doenças pulmonares ou neuromusculares graves.
A coordenadora de Vigilância em Saúde na SRS de Montes Claros, Agna Soares da Silva Menezes, avalia que “a incorporação do nirsevimabe no SUS representa um grande avanço na proteção de recém-nascidos prematuros e crianças com condições clínicas especiais, com a administração de apenas uma dose”.
Dados do Ministério da Saúde reforçam a importância da medida. Segundo o órgão, o vírus sincicial respiratório é responsável por 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. Em 2025, o Brasil registrou 120.176 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave por vírus respiratórios de importância em saúde pública. Desse total, 43.946 casos (36,6%) foram diagnosticados como VSR, com mais de 36 mil hospitalizações envolvendo crianças menores de dois anos, o que corresponde a 82,5% dos casos.
