
O Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR), em Montes Claros (MG), realizou na última sexta-feira (13) um treinamento técnico para o funcionamento da nova câmara hiperbárica que passará a ser utilizada na unidade. A capacitação envolveu profissionais de diferentes áreas e marca mais um avanço na qualificação da assistência hospitalar, especialmente no atendimento a pacientes com quadros clínicos complexos.
A instituição abriga um Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) de nível 3, referência em toda a macrorregião do Norte de Minas, responsável pelo atendimento de vítimas de diversos tipos de queimaduras e pela condução de processos de reabilitação funcional e estética por meio de um tratamento interdisciplinar. Com a chegada da câmara hiperbárica, o hospital amplia sua capacidade terapêutica e tecnológica, oferecendo recursos modernos para a recuperação dos pacientes.
A câmara hiperbárica é um equipamento médico cilíndrico de oxigenoterapia que submete o paciente a uma pressão superior à atmosférica, geralmente de duas a três vezes maior, enquanto ele inala oxigênio puro. Esse processo aumenta significativamente a oxigenação do sangue e dos tecidos, favorecendo a regeneração celular, a cicatrização de feridas e o controle de infecções graves.
Entre as principais indicações do tratamento estão as feridas crônicas, como o pé diabético, feridas cirúrgicas de difícil cicatrização e úlceras. A tecnologia também é utilizada em casos de infecções necrotizantes, osteomielite, traumas graves, embolias gasosas, acidentes de mergulho e intoxicações por monóxido de carbono, comuns em vítimas de inalação de fumaça. Além do uso hospitalar, a terapia hiperbárica também é reconhecida como importante aliada na recuperação esportiva, auxiliando na redução de inflamações e na regeneração de lesões musculoesqueléticas.
As sessões de tratamento duram, em média, 90 minutos sendo realizadas com acompanhamento de equipe especializada. Para garantir a segurança, os pacientes precisam retirar objetos metálicos, joias, relógios, maquiagem e roupas sintéticas, utilizando apenas as vestimentas fornecidas pela unidade de saúde.
De acordo com Matheus Costa Rocha, enfermeiro da Comissão de Lesões de Pele do hospital Mário Ribeiro, a câmara hiperbárica vai impactar diretamente o tratamento dos pacientes atendidos no hospital: “A hiperbárica irá contribuir significativamente com a melhora na oxigenação dos tecidos dos pacientes, ajudando com a cicatrização das queimaduras, diminuindo edema e risco de infecção e favorecendo a eficácia dos enxertos”, diz.
“Penso que devemos priorizar os pacientes com queimaduras mais extensas e profundas, principalmente de segundo e terceiro grau, aqueles com áreas com sofrimento tecidual ou risco de necrose, risco de perda dos enxertos”, explica o enfermeiro.
Matheus acrescenta que o treinamento em equipe foi fundamental para a segurança e a eficácia do tratamento com a nova tecnologia. “Uma equipe treinada consegue indicar corretamente o tratamento, identificar contraindicações e assim reduz riscos, melhorando os resultados e suportes dados aos pacientes”, conclui.
