saúde

Fevereiro Roxo faz alerta para doenças crônicas

Lúpus, fibromialgia e Alzheimer ganham destaque em campanha nacional

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 20/02/2026 às 19:00.

Doenças crônicas precisam de atenção permanente e o mês de fevereiro é utilizado para chamar atenção a três delas: Alzheimer, Fibromialgia e Lúpus. A campanha reforça a necessidade de cuidados específicos e tratamentos para trazer de volta a qualidade de vida ao paciente. Estimativa da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) aponta para uma população de 150 a 300 mil pessoas vivendo com Lúpus, no país, com prevalência entre as mulheres.

Evanilde Gonçalves convive com o lúpus desde 2017. Ela, que já era fibromiálgica, ficou pior após uma dengue. Mesmo com o tratamento, as manchas avermelhadas no corpo e no rosto não desapareceram. Foi então que os exames de sangue acusaram o lúpus e ela iniciou o tratamento. “Tomei a hidroxicloroquina por sete anos e atacou a visão. Devido à medicação forte, outras consequências surgiram, como os dentes que quebram com facilidade. Já quebrei vários dentes, essa semana quebrou mais um e tenho muitas crises de dor de cabeça”, diz. E complementa: “Infelizmente, não tem dentista do SUS preparado para um lúpico”, lamenta. Apesar da doença, Evanilde afirma que leva a vida com otimismo e é muito bem assistida no Centro de Especialidades Médicas da Funorte (Cemed), onde faz o acompanhamento médico para minimizar os efeitos do lúpus. A causa da doença ainda é desconhecida, mas assim como na fibromialgia, o paciente é tratado pelo reumatologista.

Thiago Henrique Guimarães, reumatologista do Cemed/Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR) e membro titular da Sociedade Brasileira de Reumatologia, destaca que existe mais de um tipo de lúpus e aquele que está relacionado ao mês de conscientização é a forma mais grave da doença. “É o que a gente chama de lúpus eritematoso sistêmico. É autoimune, inflamatório e sistêmico”. Segundo o especialista, as manifestações da doença e as consequências aparecem de várias formas. O sistema imunológico da pessoa com lúpus é atacado pelas próprias células do organismo e, conforme o médico, isso pode ocorrer nas articulações, causando artrite na pele, com lesões cutâneas clássicas como o rash malar (mancha avermelhada semelhante à asa de borboleta), a fotossensibilidade, lúpus discóide (lesões em forma de disco), pode atacar o coração gerando pericardite, endocardite, derrame pericárdico, e ainda o pulmão, com derrame pleural e os rins, com nefrite lúpica. “Então, o sistema imunológico que está desorganiz
ado, alterado no paciente com lúpus, pode desenvolver esse ataque contra os diversos órgãos”, diz o médico. A gravidade da doença é considerável. O diagnóstico precoce e o tratamento direcionado são essenciais para a sobrevida do paciente.

O reumatologista pontua que, nesse universo de múltiplas consequências, a boa notícia é que houve evolução no tratamento e ampliação para o sistema público de saúde. “Houve o aumento de opções terapêuticas. Nosso arsenal de medicamentos aumentou em quantidade e qualidade também. Hoje temos medicamentos inseridos no SUS, que conseguem controlar desde as manifestações leves até as mais graves”, destaca. Com isso, conclui Thiago, “conseguimos colocar a doença em remissão, melhorar o prognóstico e diminuir a mortalidade relacionada ao lúpus. Essa evolução foi muito importante”.

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