A Vigilância em Saúde de Buritizeiro, no Norte de Minas, confirmou nos últimos dias um caso de febre amarela em um macaco (Primata Não Humano — PNH), acendendo o alerta para a circulação do vírus na região. Diante da confirmação, as autoridades sanitárias reforçam a importância da vacinação, considerada a principal forma de prevenção, e orientam a população a redobrar os cuidados e manter o cartão vacinal atualizado.
Conforme dados do Ministério da Saúde, consultados nesta última quarta-feira (6), 2.257.839 doses da vacina contra a febre amarela já foram aplicadas na região Norte de Minas, de um total de 2.390.905 pessoas vacinadas, representando cobertura vacinal de 94,43%. Em Buritizeiro, foram registradas 22.418 doses aplicadas para um total de 20.223 pessoas vacinadas, alcançando cobertura de 110,85%. Segundo especialistas, índices acima de 100% podem ocorrer devido à vacinação de pessoas de outras localidades, além de atualizações nos registros populacionais e vacinais.
Em 18 de abril deste ano, segundo a diretora de Vigilância em Saúde, Maria da Piedade Pessoa Pereira, o primata foi encontrado morto na zona rural do município, a cerca de 7 km da zona urbana. “Esse primata foi encaminhado à GRS [Gerência Regional de Saúde], onde foram abertas e retiradas as vísceras, sendo encaminhado para exame. No dia 24 de abril desse ano, saiu o resultado positivo”, comentou a diretora.
Ainda conforme Maria da Piedade, “a partir então começamos a desencadear as ações, sendo a busca ativa de cartão e as vacinações nesse território. Fomos de casa em casa orientando o pessoal e estendemos essa informação à população de forma geral, não com intuito de alardes, mas em caráter de informação com responsabilidade e tranquilidade”.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, não há registro de casos confirmados em humanos em Minas Gerais até o momento no período de monitoramento de 2026. Ainda assim, o aparecimento da doença em primatas funciona como um sinal de alerta epidemiológico. Isso porque os macacos atuam como sentinelas naturais, indicando a presença do vírus no ambiente. Ao contrário do que muitos acreditam, esses animais não transmitem a febre amarela para as pessoas; eles, assim como os humanos, são vítimas da infecção transmitida por mosquitos.
Fátima Lima, médica de Família e Comunidade, explica que, diante desse cenário, a vacinação é apontada como a principal ferramenta de controle e prevenção. “A vacina contra a febre amarela é segura, gratuita e está disponível em mais de 4 mil unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2017, o Brasil adota o esquema de dose única ao longo da vida. No entanto, pessoas que receberam a vacina antes dos cinco anos de idade devem receber uma dose de reforço. A confirmação de febre amarela em um primata não humano é um alerta sanitário importante, ao indicar a circulação ativa do vírus na região. Nesse cenário, a vacinação é a principal e mais eficaz medida de prevenção, tanto para proteger individualmente quanto para evitar a propagação da doença. A baixa cobertura vacinal aumenta significativamente o risco de casos em humanos, já que o vírus pode ser transmitido por mosquitos presentes na área”, relata a médica.
“A prioridade deve ser vacinar todas as pessoas não imunizadas que vivem ou circulam em áreas de risco, especialmente moradores da zona rural, trabalhadores que atuam em ambientes de mata, ribeirinhos e pessoas que vão viajar para essas regiões. Além disso, é fundamental atualizar a caderneta de vacinação de adultos e garantir a imunização de crianças a partir dos nove meses de idade, conforme as recomendações do Ministério da Saúde. A ampliação da cobertura vacinal é essencial para interromper a cadeia de transmissão e evitar surtos da doença”, completa Lima.
A DOENÇA
Segundo o Ministério da Saúde, a febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, imunoprevenível, de evolução abrupta e gravidade variável, com elevada letalidade nas suas formas graves. A doença é causada por um vírus transmitido por mosquitos e possui dois ciclos de transmissão (urbano e silvestre). No ciclo urbano, a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados. No ciclo silvestre, os transmissores são mosquitos com hábitos predominantemente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes.
Ainda segundo o órgão, os sintomas iniciais da febre amarela incluem início súbito de febre, dores no corpo em geral, calafrios, náuseas e vômitos, dor de cabeça intensa, fadiga, dores nas costas e fraqueza.

