
A Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES_MG) chama atenção para a forma correta de descartar remédios. O órgão informa que, no estado, mais de 11 toneladas de medicamentos vencidos são descartadas anualmente, e nem sempre as pessoas têm conhecimento do impacto dessa ação.
“Às vezes destruo as embalagens e coloco todas numa sacolinha, mas descarto em lixo comum, pois nunca vi nenhuma informação sobre onde e como descartar”, diz a aposentada Gilma Oliveira. A montes-clarense Taciana Sarmento, hoje morando em Alfenas, afirma que costuma ir até uma farmácia da sua atual cidade, designada para receber os produtos. “Faço isso com remédios e eletrônicos. Na verdade, mais pelo risco humano mesmo”. Já a servidora Selma Prado afirma: “Geralmente não descarto. Faço doações antes de vencer, quando não uso. O ideal seria as farmácias receberem e darem a devida destinação ou tratamento a este tipo de descarte”, diz.
O farmacêutico Samuel Góes, egresso do Centro Universitário Funorte — Campus FASI, e atualmente assessor da diretoria do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF/MG), explica que os principais impactos do descarte incorreto de medicamentos estão na contaminação ambiental, já que substâncias químicas atingem o solo e os lençóis freáticos. “Sem contar que estações de tratamento de esgoto não conseguem filtrar completamente resíduos resultantes dos compostos químicos presentes nas medicações”. Além disso, continua o farmacêutico, “há possibilidade de desenvolvimento de resistência bacteriana e o risco à saúde, uma vez que medicamentos no lixo comum podem ser ingeridos por crianças, animais ou catadores, causando intoxicações graves”, salienta.
De acordo com o farmacêutico, o fluxo correto para descarte segue o princípio da Logística Reversa, ou seja, o cidadão deve procurar farmácias e drogarias que tenham os coletores, mantendo o medicamento na embalagem primária. “O blister ou o frasco que toca o remédio, entregando ao farmacêutico, que fará o descarte por meio de empresa especializada”, orienta. A medida vale, conforme o profissional, para todo tipo de medicamento vendido à população. No que se refere aos medicamentos de uso exclusivo pelos hospitais, é a unidade que se responsabiliza pelo descarte. “Sempre lembrando que medicamentos não devem ser jogados em lixo comum”, reitera Samuel.
Em Montes Claros, a rede de farmácias que recebia os produtos não faz mais o serviço. A Secretaria de Estado da Saúde informou como pontos de coleta em Montes Claros, farmacêutica localizada no Distrito Industrial. A reportagem entrou em contato com a multinacional, que informou não ter um ponto de coleta na unidade local. “Recomendamos que as pessoas busquem o sistema de descarte de medicamentos localizado em farmácias e Unidades Básicas de Saúde (UBS)”, informou a assessoria da empresa.
Conforme o Decreto Federal nº 10.388/2020, amparado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, embora a responsabilidade técnica e financeira pela destruição dos medicamentos seja dos fabricantes e farmácias, cabe às prefeituras viabilizar a logística reversa, informando e orientando a população sobre os locais e maneiras de fazer o descarte. A Prefeitura de Montes Claros foi procurada para informar sobre os pontos de coleta e se as Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão praticando o recebimento desses medicamentos, mas até o fechamento da edição, não respondeu aos questionamentos.
