Corpo em movimento contra o câncer

Estudo do Inca revela que atividade física atua no controle da doença

Da Redação*
Publicado em 03/05/2022 às 10:55.
Gasto do SUS com três tipos de câncer somaram R$ 1,4 bilhão em 2018: valor pode ser reduzido, e índice da doença também, se o brasileiro apostar na prática de atividade física (marcelo camargo/agência brasil)

Gasto do SUS com três tipos de câncer somaram R$ 1,4 bilhão em 2018: valor pode ser reduzido, e índice da doença também, se o brasileiro apostar na prática de atividade física (marcelo camargo/agência brasil)

Os gastos federais com o tratamento somente de três tipos de câncer entre os de maior incidência no Brasil (mama, intestino grosso e endométrio) poderiam ser reduzidos em até R$ 20 milhões, em 2040, a partir da ampliação da prática da atividade física na população.

O dado consta de estudo divulgado na última sexta-feira (29) pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), durante o seminário “Atividade física no controle de câncer: recomendações e impactos econômicos no SUS”. O evento foi realizado dentro das comemorações pelo Dia Mundial da Atividade Física, que aconteceu em 6 de abril.

De acordo com o Inca, para que haja essa economia nos gastos com tratamento de câncer, um terço dos brasileiros deveria realizar, pelo menos, 150 minutos de exercícios físicos por semana, até 2030, em atividades moderadas.

Caso não ocorram políticas públicas e ações que estimulem a atividade física no lazer, o gasto total do Sistema Único de Saúde (SUS) com esses três tipos de câncer, que somaram R$ 1,4 bilhão em 2018, podem alcançar R$ 2,5 bilhões, em 2030, e R$ 3,4 bilhões em 2040.

As despesas levam em consideração procedimentos hospitalares e ambulatoriais realizados no SUS em pacientes oncológicos na faixa de 30 anos ou mais de idade. Os cânceres de mama, intestino grosso e endométrio têm como fatores de risco a inatividade física e hábitos sedentários, como assistir televisão e usar celular ou computador em excesso.

INSUFICIÊNCIA
O pesquisador Fabio Carvalho, da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca, disse que, em 2019, a prevalência da atividade física insuficiente no lazer diminuiu de 92% para 70% em homens e de 94% para 77% em mulheres. Apesar da redução, os valores da falta de atividade física entre os brasileiros ainda são elevados. 

“A prática é insuficiente”, observou. “O cenário que fica mais favorável na perspectiva de economia de recursos seria reduzir em 10% a prevalência. Dá para dizer que é uma meta factível, porque isso seria em dez anos”.

A economia resultante desse aumento da atividade física entre a população poderia ser reaproveitada tanto na questão hospitalar e ambulatorial, como em programas de atividade física. 

“Aí, é bom para todo mundo”, assegurou Carvalho. Ele sinalizou que essas ações valem para a prevenção de novos casos de câncer e também para quem está em tratamento ou já teve a doença.

O estudo apresentado pelo Inca ressaltou que, se a tendência de aumento de casos de câncer se mantiver, e a ausência da prática de atividades físicas entre os brasileiros persistir, a expectativa de gastos do governo federal com tratamentos oncológicos será de cerca de R$ 7,8 bilhões, em 2040, contra quase R$ 3,5 bilhões em 2018.

A projeção é que o número de casos novos de câncer diagnosticados no Brasil, exceto não melanoma, sofra aumento de 66% em 2040, em relação aos 450 mil casos registrados em 2019, com ampliação de 81% no número de óbitos, em comparação às 232 mil mortes por câncer observadas em 2021.
 
PREVENÇÃO
A pesquisadora Thainá Alves Malhão, também da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca, analisou, entretanto, que é possível traçar um cenário diferente, porque entre 80% e 90% dos casos de câncer são potencialmente preveníveis, com mudança de estilo de vida. A prevenção primária é aliada no controle da doença, assegura o Inca. “O câncer é possível prevenir por meio da atividade física e da alimentação saudável”, reforçou Fabio Carvalho.

Durante o evento, foi apresentado o guia Atividade física e câncer: recomendações para prevenção e controle, elaborado por meio de parceria institucional entre o Inca, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) e a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (Sbafs).

Destinado a gestores do SUS, o guia pode ser consultado por qualquer pessoa interessada que poderá entender que a atividade física é muito importante para a prevenção do câncer, completou Fabio Carvalho.

A diretora-geral do Inca, Ana Cristina Pinho, destacou que o papel do instituto, vinculado ao Ministério da Saúde, é informar à população que o câncer, em boa parte dos casos, pode ser evitado. Segundo ela, o evento teve por objetivo estimular bons hábitos diários e mostrar os efeitos positivos da prevenção primária, que podem refletir na economia dos gastos do SUS.

*Com Agência Brasil

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