
Durante o período de seca, os relatos de animais silvestres na área urbana não são incomuns, e nem sempre quem se depara com um desses animais sabe o que fazer. A babá Marcela Santos conta que faltou pouco para ser picada por uma cobra coral. “Estava na rua da minha casa conversando com uma amiga e olhando o celular. Por sorte, estávamos embaixo do poste e a luz me ajudou a ver uma cobra coral que estava bem próxima. No susto, eu corri”, conta Marcela, que disse não saber qual foi o destino do animal. “Se houvesse uma pessoa que soubesse lidar, eu teria chamado, mas não dava nem tempo. Não sei onde ela entrou”.
A cobra coral, embora tenha um comportamento menos agressivo, segundo especialistas, pode ser perigosa porque algumas espécies possuem veneno que pode afetar o sistema nervoso. O biólogo Lemuel Leite diz que acidentes com a cobra-coral são raros. “Por mais que tenha um veneno extremamente tóxico, ela é uma serpente mais tranquila, um animal furtivo e menos perigoso, diferentemente de uma cascavel ou jararaca”, diz, reiterando que a grande dificuldade é separar a falsa da verdadeira, já que são duas as espécies. “Uma imita a outra e a ideia é que fiquem cada vez mais parecidas”.
Em relação à saída de animais para a área urbana, ele pontua que o mais provável é que a escassez de recursos na natureza, provocada pela seca, leve à situação, considerando o efeito cadeia. “A nossa vegetação de maneira geral, é caducifólia, ou seja, as folhas caem. Quando tem a diminuição de folhas, tem, consequentemente a diminuição de recursos. Por exemplo, os insetos diminuem drasticamente porque estão associados à vegetação, e vários outros bichos se alimentam de insetos. Basicamente, eles aumentam a área de exploração e vão se movimentar mais”, explica.
OCORRÊNCIAS
Embora não haja um levantamento consolidado de 2026 sobre esse tipo de atendimento na cidade, ocorrências isoladas divulgadas pelo Corpo de Bombeiros mostram que a captura faz parte da rotina da corporação. Recentemente, em um único dia, o 7º Batalhão de Bombeiros atendeu mais de quatro ocorrências em bairros diferentes. Segundo divulgado pela corporação, houve o resgate de um gavião ferido no bairro Alterosa, um cágado, no bairro Alto São João, e cobra, no Nova Morada e outros bairros.
No caso de se deparar com um animal silvestre, as recomendações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros incluem: não tentar capturar o animal por conta própria; não tocar, não provocar e não afugentar o animal; não fazer movimentos bruscos, evitando que o animal se sinta ameaçado; não agredir o animal. Manter distância segura e observar o local, se possível, para orientar a equipe, além de acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, informando o local da ocorrência e características do animal, como tamanho, cor, espécie e comportamento.
