Perigos urbanos

Estiagem favorece presença de animais silvestres na área urbana

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 16/07/2026 às 19:00.
Marcela Santos conta que, no susto, escapou da picada de uma cobra coral (Márcia Vieira)
Marcela Santos conta que, no susto, escapou da picada de uma cobra coral (Márcia Vieira)

Durante o período de seca, os relatos de animais silvestres na área urbana não são incomuns, e nem sempre quem se depara com um desses animais sabe o que fazer. A babá Marcela Santos conta que faltou pouco para ser picada por uma cobra coral. “Estava na rua da minha casa conversando com uma amiga e olhando o celular. Por sorte, estávamos embaixo do poste e a luz me ajudou a ver uma cobra coral que estava bem próxima. No susto, eu corri”, conta Marcela, que disse não saber qual foi o destino do animal. “Se houvesse uma pessoa que soubesse lidar, eu teria chamado, mas não dava nem tempo. Não sei onde ela entrou”.

A cobra coral, embora tenha um comportamento menos agressivo, segundo especialistas, pode ser perigosa porque algumas espécies possuem veneno que pode afetar o sistema nervoso. O biólogo Lemuel Leite diz que acidentes com a cobra-coral são raros. “Por mais que tenha um veneno extremamente tóxico, ela é uma serpente mais tranquila, um animal furtivo e menos perigoso, diferentemente de uma cascavel ou jararaca”, diz, reiterando que a grande dificuldade é separar a falsa da verdadeira, já que são duas as espécies. “Uma imita a outra e a ideia é que fiquem cada vez mais parecidas”.

Em relação à saída de animais para a área urbana, ele pontua que o mais provável é que a escassez de recursos na natureza, provocada pela seca, leve à situação, considerando o efeito cadeia. “A nossa vegetação de maneira geral, é caducifólia, ou seja, as folhas caem. Quando tem a diminuição de folhas, tem, consequentemente a diminuição de recursos. Por exemplo, os insetos diminuem drasticamente porque estão associados à vegetação, e vários outros bichos se alimentam de insetos. Basicamente, eles aumentam a área de exploração e vão se movimentar mais”, explica.

OCORRÊNCIAS
Embora não haja um levantamento consolidado de 2026 sobre esse tipo de atendimento na cidade, ocorrências isoladas divulgadas pelo Corpo de Bombeiros mostram que a captura faz parte da rotina da corporação. Recentemente, em um único dia, o 7º Batalhão de Bombeiros atendeu mais de quatro ocorrências em bairros diferentes. Segundo divulgado pela corporação, houve o resgate de um gavião ferido no bairro Alterosa, um cágado, no bairro Alto São João, e cobra, no Nova Morada e outros bairros.

No caso de se deparar com um animal silvestre, as recomendações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros incluem: não tentar capturar o animal por conta própria; não tocar, não provocar e não afugentar o animal; não fazer movimentos bruscos, evitando que o animal se sinta ameaçado; não agredir o animal. Manter distância segura e observar o local, se possível, para orientar a equipe, além de acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, informando o local da ocorrência e características do animal, como tamanho, cor, espécie e comportamento.

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