Setembro Dourado

Diagnóstico precoce aumenta chances de cura do câncer infantil

Christine Antonini
antonini.jonalista@gmail.com
Publicado em 18/09/2026 às 14:15.
Hanna Gomes Santana, tem seis anos e há um faz tratamento contra a Leucemia (Arquivo Pessoal)
Hanna Gomes Santana, tem seis anos e há um faz tratamento contra a Leucemia (Arquivo Pessoal)

O Setembro Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o câncer infantojuvenil, chama a atenção para a importância de reconhecer os sinais da doença e buscar atendimento médico o mais cedo possível. Embora muitos sintomas possam ser confundidos com doenças comuns da infância, a persistência ou piora do quadro deve servir de alerta para pais e responsáveis.

De acordo com a oncopediatra Sabrina Eleutério, que atua na Fundação Sara, as leucemias estão entre os tumores mais frequentes, especialmente na faixa etária de 1 a 6 anos. Na sequência, aparecem os tumores do sistema nervoso central e os linfomas.

Apesar da maior frequência de determinados tipos, a especialista explica que o câncer pode surgir em diferentes partes do organismo. “Em qualquer parte do corpinho da criança e do adolescente pode acontecer o câncer. Inclusive dentro dos olhinhos”, alerta.

Entre os principais sinais que devem chamar a atenção estão febre persistente, nódulos pelo corpo que aumentam em número ou tamanho, manchas roxas sem relação com traumas, dor de cabeça acompanhada de vômitos, aumento do volume abdominal, estrabismo e o aparecimento de uma mancha branca na pupila do olho.

É o caso da pequena Hanna Gomes Santana, hoje com sete anos de idade e que há um ano faz tratamento contra a leucemia — toda semana ela precisa fazer quimioterapia e alguns cuidados diários.

“Hanna não apresentava nenhum sintoma. Nós a levamos a uma consulta de rotina com a endocrinologista pediátrica, doutora Gabriela Azevedo, porque suspeitávamos de puberdade precoce. Os primeiros exames apontaram apenas anemia, e ela iniciou um tratamento previsto para três meses. Cerca de um mês depois, a médica entrou em contato, pois havia identificado uma alteração que lhe chamou a atenção, e pediu que os exames fossem antecipados. A partir dos novos resultados, Hanna foi encaminhada à hematologista doutora Juliana Cerqueira, que solicitou exames mais detalhados e chegou ao diagnóstico. Graças à sensibilidade e ao profissionalismo das duas médicas, conseguimos descobrir a doença precocemente”, relata a mãe de Hanna, Ilka Santana, que também é mãe de uma menina de um ano.

A oncopediatra Sabrina Eleutério explica que um dos desafios do diagnóstico do câncer infantil é justamente a semelhança entre os primeiros sintomas e doenças comuns nessa fase da vida. Por isso, é importante observar a evolução do quadro e a resposta ao tratamento.

“Quando a criança não melhora, apesar do tratamento instituído, ou piora, precisamos lembrar que pode ser câncer. A percepção dos pais também deve ser considerada durante o acompanhamento. Familiares que convivem diariamente com a criança conseguem perceber mudanças sutis no comportamento ou na saúde. Temos que estar atentos às informações dos pais, principalmente quando conhecem bem o filho e dizem: ‘algo não está certo’”, destaca.

O diagnóstico precoce é apontado como um dos principais fatores para aumentar as possibilidades de cura. Além de ampliar as chances de sucesso do tratamento, identificar a doença em uma fase inicial pode reduzir a necessidade de intervenções mais agressivas e, consequentemente, os impactos provocados pelo tratamento.

“O diagnóstico precoce aumenta as chances de a criança e do adolescente se curarem. Reduz a morbidade associada ao tratamento. Quanto menos doença para tratar, menos remédio precisamos dar”, explica Sabrina.

Apesar de ser muito pequena, a mãe de Hanna conta que ela entende a doença, o processo e o tratamento, e a importância da Fundação Sara nesse momento da vida.

“Desde o diagnóstico, explicamos que se tratava de uma doença que se chamava câncer, que era no sangue e que ela passaria por um longo tratamento. Desde o início, sempre explicamos cada passo do tratamento, cada procedimento pelo qual passaria. O interessante é que, em 2010, fiz estágio na Fundação Sara, voltado aos pais e assistidos, e nunca imaginei que, anos depois, os papéis se inverteriam e nós seríamos os assistidos. Hoje, a Fundação Sara é um apoio fundamental, especialmente após o diagnóstico. Fomos acolhidos pelos profissionais e acompanhamos de perto a importância dos serviços oferecidos, principalmente às famílias de outros municípios, com hospedagem, alimentação, transporte, exames e medicamentos. Neste momento tão difícil, esse apoio faz toda a diferença em nossas vidas”, ressalta Ilka Santana.

Para Sabrina Eleutério, entretanto, o principal avanço continua sendo identificar a doença quanto antes e garantir que o paciente seja encaminhado para um serviço especializado.

“O melhor tratamento ainda é aquele que acontece com o diagnóstico precoce, em centro especializado para tratamento de crianças e adolescentes, com equipe treinada e tudo sendo realizado de forma precisa, a tempo e a hora”, destaca

Em Montes Claros, a estrutura especializada para o atendimento desses pacientes também deverá ganhar reforço com o Hospital de Câncer Sara Albuquerque, iniciativa ligada à Fundação Sara.

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