Desrespeito à vida

Denúncias de violência contra o idoso preocupam autoridades em MOC

Neste ano, as denúncias já são 11,8% superiores às registradas em todo 2021: situação é de alerta em MOC e no país.

Larissa Durães
Publicado em 14/06/2022 às 22:59.
As principais violações são abandono, negligência, violência financeira e psicológica e agressão verbal: neste ano, a média de casos mensais denunciados ao NAE chega a 31, contra 14 por mês em 2021. (anpr/divulgação)

As principais violações são abandono, negligência, violência financeira e psicológica e agressão verbal: neste ano, a média de casos mensais denunciados ao NAE chega a 31, contra 14 por mês em 2021. (anpr/divulgação)

A violência contra o idoso não para de crescer e tem exigido cada vez mais preparo das autoridades para lidarem com esse tipo de crime e solidariedade da população para denunciar casos de agressão a quem já é tão vulnerável.

Em Montes Claros, os números são diferentes, dependendo do órgão, mas têm em comum o aumento a cada ano. Segundo a prefeitura, foram registrados 786 casos de violência contra o idoso de janeiro de 2019 a maio deste ano – média de 27 por mês.

Já os casos que chegaram ao Núcleo de Atendimento de Violência Contra o Idoso (NAE), ligado à Coordenadoria do Idoso da Secretaria de Desenvolvimento Social, mostram que as 189 denúncias registradas neste ano já superam em 11,8% as 169 anotadas em todo 2021.

Um alerta que precisa soar alto na maior cidade do Norte de Minas e em todo o país nesta quarta-feira (15), Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.

A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2006 para chamar a atenção e sensibilizar a população mundial sobre os direitos dos idosos.

“Infelizmente, a violência contra a pessoa idosa é crescente, por isso, cada vez mais estamos nos capacitando para buscar soluções e conscientizar a sociedade de forma geral, pois é importante combater a violência contra a pessoa idosa”, destaca o secretário Municipal de Desenvolvimento Social, Aurindo Ribeiro.

O secretário ressalta que combater a violência contra a pessoa idosa tem que ser uma luta permanente. No último domingo (12), um idoso de 65 anos foi assassinado, dentro de casa, no bairro Morrinhos. De acordo com a Polícia Militar, ele foi vítima de latrocínio. Um homem de 40 anos foi preso suspeito de ter cometido o crime.
 
UNIÃO DE ESFORÇOS 
Em Montes Claros, o Núcleo de Atendimento de Violência Contra o Idoso (NAE) apura as denúncias recebidas com a colaboração do Ministério Público, Ministério dos Direitos Humanos, Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Unidades Básicas de Saúde e denúncias realizadas diretamente na Coordenadoria do Idoso.

Segundo Cibely Diniz, que atua no NAE, as principais violações são: abandono, negligência, violência financeira e psicológica e agressão verbal. Neste ano, a média de casos mensais denunciados ao órgão chega a 31, contra 14 por mês em 2021.

Para a geriatra do Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), Luciana Colares, e coordenadora do Centro Mais Vida de Assistência à Saúde do Idoso “Eny Faria de Oliveira” (Crasi), a instituição se preocupa com a saúde do paciente, de forma geral. Em caso de suspeita de maus-tratos, seja ele psicológico ou físico, a situação é encaminha para averiguação em conjunto com o serviço social.

“Essas campanhas são importantes porque se consegue observar se tem violência, de qualquer tipo, contra o idoso, que coloca o paciente em risco de qualquer forma”, explica.

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Respeito à vida
“Não podemos esquecer que a pessoa idosa tem uma história, e nós todos vamos envelhecer. Hoje, em Montes Claros, somos 10%, mas em 2050 seremos muito mais. Todo cuidado ainda é pouco”, ressalta Luciana Colares. 

Segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), em 2021 foram registradas 37 mil notificações de violência contra os idosos no Brasil. Em 29 mil casos, tratava-se de violência física. 

“A violência aumentou contra os idosos, é notório, talvez possamos atribuir o fato à contenção da pandemia, pois as pessoas acabaram ficando mais tempo em casa, aos cuidados, às vezes, de pessoas que não são tão qualificadas, aí acabou tendo este aumento de violência doméstica”, analisa Letícia Porto, doutoranda da Universidade Federal do Paraná que irá lançar, no final de junho, o livro “Constituição e Direitos Humanos – Tutelas dos Grupos Vulneráveis”.

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