O último boletim epidemiológico das arboviroses, divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG), colocou especialistas e população em estado de alerta para a dengue. Até o dia 23 de março, foram registrados em todo o Estado 31.838 casos prováveis da doença. O boletim anterior, divulgado no dia 16 de março, apontava para 26.471 casos. Os dados atualizados indicam ainda que 14 óbitos estão em investigação e seis foram confirmados.
O cenário atual assusta principalmente quem já passou pela doença, como a dona de casa Edvânia de Moraes, que teve dengue duas vezes e desconfia que a causa esteja bem próxima. “Não tinha viajado na época, nem ido a outro lugar. Acho que essa quantidade de lote vago no entorno de casa contribuiu para a situação”, disse. Edvânia é uma das moradoras do bairro Augusta Mota, próximo ao Major Prates, que figura na lista dos três bairros com mais incidência da doença, e denunciou a ausência de atuação do poder público no bairro. Ela teme ser novamente afetada pela doença. A primeira vez a dengue se estendeu por mais tempo, mas em ambas, ela conta que foi bastante sofrida. “Eu ficava deitada o dia todo, não tinha forças para fazer nada e não conseguia nem caminhar”. Depois da experiência, ela conta que adotou alguns cuidados, como o uso diário de repelente, e quando vê vasilhas jogadas nas ruas, com água parada, ela toma a iniciativa de virar. “De forma que não fiquem com água parada. Tenho muito medo de ter de novo e não resistir”, ressalta.
O médico Felipe Colares, do Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR), alerta que, no período chuvoso, o acúmulo de água favorece a reprodução do mosquito e recomendou eliminar e evitar novos acúmulos de água em recipientes. Conforme o médico, os sintomas mais clássicos da dengue são a febre e a dor no corpo, e uma dor bem característica é a dor nos músculos das costas e atrás dos olhos. “Caso o paciente apresente vômitos que não param, uma dor abdominal de forte intensidade, sensação de tontura ou desmaio e sangramento, ele deve procurar alguma unidade de saúde com urgência”, orienta. Ele destaca ainda que o tratamento da dengue é basicamente feito com suporte, “ou seja, analgesia e remédios para tirar a febre”, mas reforça que os pacientes não devem se automedicar. “Em caso de extrema necessidade de uso de medicação, utilizar dipirona ou paracetamol e nunca anti-inflamatórios”, explica.
CENÁRIO
A Superintendência Regional de Saúde (SRS) informou que, até o dia 30 de março, os 54 municípios que fazem parte da área de atuação da Unidade Regional de Saúde notificaram 3.152 casos de dengue, com 930 casos confirmados e um óbito em investigação no município de Capitão Enéas, cidade que aparece entre as que têm mais casos de arboviroses (incluindo Chikungunya e Zika). Em seguida, estão Claros dos Poções, Francisco Sá, Janaúba, Joaquim Felício e Novorizonte. “Nestas localidades, além do acompanhamento das ações implementadas pelas secretarias municipais de saúde, a SRS de Montes Claros tem disponibilizado equipamentos de Ultrabaixo Volume (UBV) para a eliminação de focos do Aedes aegypti”, informou a assessoria de comunicação da Regional.
Para o controle das arboviroses no Norte de Minas, o Estado investe em novas tecnologias, como a utilização de drones para o mapeamento de focos do Aedes aegypti em áreas de difícil acesso. Outra medida foi a ampliação da vacinação contra a dengue no Norte de Minas, com a disponibilização de imunizantes para crianças e adolescentes na faixa etária de 10 a 14 anos. No mês de fevereiro, foi iniciada a vacinação de profissionais que atuam em serviços de atenção primária à saúde. Outras ações conjuntas incluem a campanha “Minas Unida contra o Aedes”, realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) durante o período sazonal das arboviroses, que reforça com os municípios a mobilização da população. “A alternância de dias de chuva e de calor contribui para a proliferação do Aedes aegypti. Os levantamentos rápidos de índices de infestação do mosquito reforçam que mais de 80% dos focos de proliferação estão no interior de domicílios”, informou a regional.

