Risco respiratório

Com 44 óbitos no Norte de Minas, MOC intensifica alerta contra influenza

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 16/07/2026 às 00:20.
Maria Clara Pereira e o filho João. O calendário do adolescente está em dia , mas a mãe está receosa com a vacina (Márcia Vieira)
Maria Clara Pereira e o filho João. O calendário do adolescente está em dia , mas a mãe está receosa com a vacina (Márcia Vieira)

A circulação dos vírus A e B da Influenza, simultaneamente, levou a Prefeitura de Montes Claros a emitir um alerta epidemiológico solicitando à população que compareça aos postos de saúde para receber a vacina. De acordo com o informativo, os casos estão concentrados principalmente entre pessoas de 10 a 19 anos e de 20 a 39 anos, correspondendo, respectivamente, ao percentual de 21,4% e 20,0% da população.

O chamado, porém, ainda não movimentou a população. Na manhã desta última quarta-feira (15), na Unidade de Saúde da Família do bairro Major Prates, havia várias pessoas buscando atendimento, mas nenhuma delas procurava a vacina. A dona de casa Maria Clara Pereira chegou acompanhada pelo filho João, de 17 anos. Questionada sobre a vacinação, ela revelou que o filho costuma estar em dia com o calendário, mas a preocupação maior é com ele. “Confesso que não costumo gripar, então não me preocupo muito em vacinar. Também tenho um certo receio porque a minha avó de 85 anos contou que vacinou e ficou muito ruim depois, então ela não quis vacinar mais. Isso cria um certo trauma”, disse, prometendo que aproveitaria a ida ao posto para rever a decisão, após ser informada sobre o alerta.

Na unidade de saúde, a orientação sobre a vacinação é fornecida pelos profissionais quando os usuários perguntam sobre o tema. Cleidiane Santos esteve no posto com o filho de dez anos para outro tipo de atendimento. Em relação à vacinação, ela diz que houve um momento em que procurou a vacina, mas o imunizante não estava disponível. “Quando ficou disponível, ele gripou e não pôde vacinar. Então, acabei adiando”, disse. Outros pacientes que aguardavam por atendimento se mostravam pouco familiarizados com o alerta.

Para o médico Luiz Henrique Rocha Vieira, do Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR), as duas cepas que circulam na cidade podem causar desde quadros pouco sintomáticos até doenças graves, principalmente em idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas. “Em alguns pacientes, a infecção pode evoluir para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), um quadro que provoca importante comprometimento dos pulmões, com falta de ar, queda da oxigenação e necessidade de internação”, disse o médico, reiterando que, nos casos mais graves, o paciente corre o risco de ser internado em UTI para se submeter ao tratamento e recorrer à ventilação mecânica.

Os principais sintomas, segundo o médico, são febre, tosse, dor de garganta, dor no corpo e cansaço. “Se surgirem falta de ar, dificuldade para respirar, confusão mental ou piora importante do estado geral, procure atendimento médico imediatamente”, alerta. Quanto à prevenção, ele é taxativo. “A melhor forma de prevenção continua sendo a vacinação anual contra a influenza. Além disso, lave as mãos com frequência, mantenha os ambientes ventilados e, se estiver com sintomas, evite contato com outras pessoas para reduzir a transmissão”, orienta.

A assessoria de comunicação da prefeitura informou que os dados oficiais apontam que Montes Claros aplicou 102.394 doses da vacina contra a influenza. Entre os grupos prioritários, a cobertura vacinal é de 54,36%, com 53.695 doses aplicadas em uma população de 98.776 pessoas. A cobertura é de 44,69% entre as crianças (13.575 doses em 30.373 pessoas), 66,73% entre as gestantes (2.619 doses em 3.925) e 58,16% entre os idosos (37.501 doses em 64.478).
 
CENÁRIO REGIONAL
De acordo com a Diretoria Regional de Saúde, em 2026, o Norte de Minas contabiliza 1.902 internações hospitalares por síndromes respiratórias agudas graves e registro de 44 óbitos. Conforme a nota, estão distribuídos da seguinte forma: Brasília de Minas (10); Campo Azul, Luislândia e São Francisco (4 óbitos em cada localidade); Pirapora (3); Coração de Jesus, Montes Claros, São João do Paraíso, Ubaí e Varzelândia (2 óbitos em cada município); Itacarambi, Lassance, Lontra, Padre Carvalho, Salinas, São João da Lagoa, São Romão, Taiobeiras e Várzea da Palma (um óbito em cada localidade).

“Como as ações de vacinação são implementadas pelos municípios e, diante da divulgação feita pela Prefeitura, cabe à Secretaria Municipal de Saúde adotar as estratégias que considerar mais apropriadas com relação à imunização contra a gripe”.

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