Com mais de 32 mil academias em funcionamento no país, segundo dados da consultoria Cortex, o Brasil figura entre os maiores mercados do mundo no segmento fitness. Estimativas apontam que cerca de 21% da população frequenta academias ou centros de treinamento, com base em levantamentos de IBGE, Statista e Cupom Válido.
Com a rotina de treinos, o uso de suplementos também se destaca. O uso de pré-treinos no Brasil traz a cafeína (72,7% dos rótulos) e taurina (57%) como os ingredientes mais comuns para aumentar energia e reduzir a fadiga. No entanto, especialistas alertam para o consumo excessivo dos produtos, principalmente sem avaliação.
“Nós conseguimos eleger alguns pontos importantes para essa popularização, como a promessa de resultado rápido, os produtos eles vendem a ideia de mais força, mais foco, menos cansaço, utilizando uma cápsula ou um escope, a própria influência das redes sociais”, avalia o médico cardiologista Wille Dingsor.
Outro problema indicado pelo médico é a busca por atalhos. “Muita gente quer mudar o corpo de forma rápida e acaba enxergando o suplemento como um atalho, ao invés de ajustar pontos como a rotina de sono, a própria estrutura do treino e a alimentação”, complementa.
Ele explica que é importante estar atento aos sinais de alerta de efeitos negativos do pré-treino no coração, que incluem palpitações fortes ou irregulares, aumento da pressão arterial, falta de ar desproporcional ao esforço, dor no peito (especialmente em aperto), visão turva, sensação de desmaio, ansiedade extrema, tremores e agitação. “Também existem os efeitos indiretos, como a insônia, ansiedade e desidratação, que aumentam a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular”, diz.
O médico ressalta que em adultos saudáveis, com avaliação cardiológica em dia e que usem o produto eventualmente, conforme o treino, respeitando o rótulo, a orientação do profissional como um nutricionista ou um nutrólogo - e o limite total de cafeína - o uso tende a ser relativamente seguro. “Pessoas que têm pressão alta, arritmia, cardiopatia, pessoas mais ansiosas ou que têm baixa tolerância a cafeína podem ter sintomas importantes mesmo com doses abaixo do limite”, relata.
Além disso, para alguns indivíduos o uso do pré-treino é desaconselhado. “Pessoas com hipertensão arterial, mesmo que controladas, devem passar por uma avaliação. Histórico de arritmias e cardiopatias, pacientes com doença renal crônica e histórico familiar de infarto precoce ou morte súbita na família necessitam avaliação médica”, diz. “O mais adequado é que a avaliação seja multiprofissional”, avalia.
ATENÇÃO NA HORA DE COMPRAR
Um erro comum de quem vai consumir pré-treinos e outros suplementos é não conferir o rótulo antes de comprar. A dica é do farmacêutico João Marques. “O que mais chama atenção hoje nos pré-treinos é que eles viraram um combo de estímulo e sensação. Na prática, quase todo pré-treino gira em cima de uma base parecida: cafeína, beta-alanina, creatina, arginina/taurina. Só que aí entra o ponto farmacêutico… Primeiro: a cafeína domina a fórmula”, explica.
A cafeína é, de acordo com ele, o único componente com efeito agudo bem estabelecido (energia, foco, redução da fadiga). “Muita gente usa pré-treino após já ter tomado café, ou junto com termogênico achando que vai potencializar o efeito, só que geralmente o termogênico já tem estimulante também, mais cafeína, sinefrina, às vezes ioimbina. E, alguns, ainda encaixam um energético na rotina, superando a dose máxima diária recomendada de cafeína”, alerta.
Além disso, ele alerta para a compra de produtos não regulamentados. “Hoje o controle é melhor do que anos atrás. Empresas mais sérias seguem boas práticas, têm rastreabilidade e, no Brasil, passam por regras da Anvisa. Então sim, grande parte dos produtos entrega algo próximo do rótulo. Dá pra confiar, mas tem que saber escolher. É muito produto “bonito no rótulo”, mas fraco na prática ou exagerado no estímulo”, reforça.

