
Dados do Ministério da Previdência mostram que o Brasil registrou, em 2025, mais de 500 mil afastamentos por saúde mental, recorde pela segunda vez em dez anos. O problema impacta trabalhadores, famílias e empresas, com aumento de licenças e ações trabalhistas. O país é o segundo no mundo em casos de burnout, atrás apenas do Japão.
Junto do aumento do trabalho, aparecem sinais de que o corpo não está acompanhando. A terapeuta integrativa Cristiane Nunes explica que muitos só percebem o peso dessa fase quando o desgaste já virou rotina. “A gente passa do limite sem perceber”, diz. Cristiane chegou ao campo integrativo depois de enfrentar ansiedade e desequilíbrio emocional por anos. Tentou seguir apenas com remédios, mas entendeu que precisava olhar para corpo, mente, emoções e energia. Dessa experiência surgiu a percepção que ela leva para os atendimentos: “não somos robôs”. Segundo ela, essa consciência se torna ainda mais necessária entre outubro e dezembro, quando a corrida por resultados cresce e a agenda aperta.
Ela observa que as pessoas costumam atropelar sono, alimentação e descanso para dar conta da demanda. O corpo responde com avisos que muita gente trata como “normais”: insônia, lapsos de memória, dificuldade de concentração, visão turva, dores no pescoço ou nas costas, palpitações, cansaço constante, sensação de estar no piloto automático e problemas digestivos. “Quando isso vira padrão, não é falta de organização, é excesso de carga”, afirma.
Para Cristiane, a resposta é menos dramática do que parece. Ela sugere pausas curtas durante o dia, mesmo de um minuto, para que o corpo reorganize o fluxo de energia. “Respirar com consciência muda a forma como você volta para a tarefa”, diz. Além das pausas, ela recomenda montar uma agenda possível, aprender a delegar, buscar apoio externo quando necessário e admitir limites. Nada disso é fraqueza, segundo ela, mas estratégia de preservação. Na visão da terapeuta, o fim do ano pode ser chance de crescimento, mas só é sustentável quando o empreendedor não se perde no próprio ritmo. “O corpo fala. Se você não para, ele para você”, conclui.
REFLEXOS TRABALHISTAS
A partir de maio de 2026, novas diretrizes regulatórias exigirão que as empresas incluam o gerenciamento de riscos psicossociais em seus protocolos oficiais de segurança. O advogado Kleysson Almeida explica que essa mudança normativa obriga as organizações a adotarem estratégias preventivas contra o esgotamento profissional e o assédio, transformando o cuidado com a saúde mental em um requisito legal indispensável. “Ao implementar essas medidas, os empregadores conseguem evitar penalidades administrativas e litígios trabalhistas, garantindo a conformidade com o Ministério do Trabalho. Em última análise, essa transição busca harmonizar o ambiente corporativo para impulsionar a produtividade e fortalecer a fidelização dos colaboradores”, diz.
