Corpo em alerta

Brasil é o segundo no mundo em burnout e amplia afastamentos

Vanessa Araújo
vanraraujo@gmail.com
Publicado em 24/03/2026 às 19:00.
Cristiane Nunes durante palestra sobre Saúde Mental em Francisco Sá, Norte de Minas (Arquivo Pessoal)
Cristiane Nunes durante palestra sobre Saúde Mental em Francisco Sá, Norte de Minas (Arquivo Pessoal)

Dados do Ministério da Previdência mostram que o Brasil registrou, em 2025, mais de 500 mil afastamentos por saúde mental, recorde pela segunda vez em dez anos. O problema impacta trabalhadores, famílias e empresas, com aumento de licenças e ações trabalhistas. O país é o segundo no mundo em casos de burnout, atrás apenas do Japão.

Junto do aumento do trabalho, aparecem sinais de que o corpo não está acompanhando. A terapeuta integrativa Cristiane Nunes explica que muitos só percebem o peso dessa fase quando o desgaste já virou rotina. “A gente passa do limite sem perceber”, diz. Cristiane chegou ao campo integrativo depois de enfrentar ansiedade e desequilíbrio emocional por anos. Tentou seguir apenas com remédios, mas entendeu que precisava olhar para corpo, mente, emoções e energia. Dessa experiência surgiu a percepção que ela leva para os atendimentos: “não somos robôs”. Segundo ela, essa consciência se torna ainda mais necessária entre outubro e dezembro, quando a corrida por resultados cresce e a agenda aperta.

Ela observa que as pessoas costumam atropelar sono, alimentação e descanso para dar conta da demanda. O corpo responde com avisos que muita gente trata como “normais”: insônia, lapsos de memória, dificuldade de concentração, visão turva, dores no pescoço ou nas costas, palpitações, cansaço constante, sensação de estar no piloto automático e problemas digestivos. “Quando isso vira padrão, não é falta de organização, é excesso de carga”, afirma.

Para Cristiane, a resposta é menos dramática do que parece. Ela sugere pausas curtas durante o dia, mesmo de um minuto, para que o corpo reorganize o fluxo de energia. “Respirar com consciência muda a forma como você volta para a tarefa”, diz. Além das pausas, ela recomenda montar uma agenda possível, aprender a delegar, buscar apoio externo quando necessário e admitir limites. Nada disso é fraqueza, segundo ela, mas estratégia de preservação. Na visão da terapeuta, o fim do ano pode ser chance de crescimento, mas só é sustentável quando o empreendedor não se perde no próprio ritmo. “O corpo fala. Se você não para, ele para você”, conclui.
 
REFLEXOS TRABALHISTAS
A partir de maio de 2026, novas diretrizes regulatórias exigirão que as empresas incluam o gerenciamento de riscos psicossociais em seus protocolos oficiais de segurança. O advogado Kleysson Almeida explica que essa mudança normativa obriga as organizações a adotarem estratégias preventivas contra o esgotamento profissional e o assédio, transformando o cuidado com a saúde mental em um requisito legal indispensável. “Ao implementar essas medidas, os empregadores conseguem evitar penalidades administrativas e litígios trabalhistas, garantindo a conformidade com o Ministério do Trabalho. Em última análise, essa transição busca harmonizar o ambiente corporativo para impulsionar a produtividade e fortalecer a fidelização dos colaboradores”, diz.

Compartilhar
Logotipo O NorteLogotipo O Norte
E-MAIL:jornalismo@onorte.net
ENDEREÇO:Rua Justino CâmaraCentro - Montes Claros - MGCEP: 39400-010
O Norte© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por