A última quarta-feira (4) foi marcada pelo “Dia Mundial da Obesidade”, data escolhida para conscientizar a população sobre a condição que afeta 63% da população adulta brasileira, segundo relatório da Organização Pan-Americana de Saúde, de 2022. Em 2025, o Atlas Mundial da Obesidade, produzido por uma Federação Internacional, apontava para 68% dos brasileiros adultos com sobrepeso ou obesidade.
Nesse cenário, a cirurgia bariátrica cresce na mesma proporção como alternativa à situação que vai além da estética. “A obesidade é uma doença que altera o nosso metabolismo e é uma doença crônica multifatorial que atrai mais de 200 outras doenças associadas, nomeadas como comorbidades, ou doenças associadas à própria obesidade”, explica o médico cirurgião Henniky Nascimento, do Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR).
Conforme o especialista, a indicação para a cirurgia atinge diversos níveis de obesidade. Para o Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30, sendo a obesidade tipo I, e quando esse paciente está associado a uma doença grave, como uma cardiopatia grave, uma hipertensão arterial com lesão de órgão-alvo, ou uma doença articular, uma osteoartrose grave e apneia do sono grave. Na obesidade tipo II, quando o IMC passa de 35, e associada à comorbidade, como hipertensão, diabetes ou dislipidemia, esteatose-hepática. Para a obesidade mórbida, quando esse IMC está acima de 40, e para o superobeso, quando o IMC está acima de 50. “Além do índice de massa corporal, nós avaliamos o tempo de doença e doenças associadas, e a idade do paciente. Em resumo, o índice de massa corporal mínimo é 30, quando associado a essas outras doenças graves”, explica Henniky.
Em adolescentes acima dos 14 anos, a possibilidade de cirurgia passa pela avaliação de um pediatra e, acima dos 16, os critérios são idênticos aos dos adultos. Já em referência aos idosos, não há mais a limitação de 64 anos, que era utilizada como critério, como explica o médico. Caso o paciente não se encaixe nos critérios e haja alto risco operatório, a cirurgia não é recomendada.
TÉCNICAS
No HCMR são utilizadas três técnicas distintas, aprovadas pelo Conselho Federal de Medicina. A “Gastrectomia Vertical (Sleeve Gástrico)”, indicada para pacientes com obesidade graus I, II e III, desde que não apresentem comorbidades como doença do refluxo gastroesofágico ou diabetes tipo 2. Outra técnica é o “Bypass”, para os tipos II ou III, e a técnica “OAGB” para o superobeso, com IMC acima de 50. “Além do controle da obesidade, a cirurgia controla outras diversas doenças associadas, como doenças metabólicas, dislipidemia, apneia do sono, diabetes tipo II, hipertensão, e inclusive na prevenção do câncer”, diz Hinneky. O resultado, conforme o médico, não é imediato. O processo completo leva cerca de dois anos, mas já no início a mudança é perceptível.
O fotógrafo Valtemir Aguiar Santos se submeteu a cirurgia no HCMR há aproximadamente 100 dias. Ele conta que atravessava um momento difícil em sua vida e chegou a pesar 197 kg. “Estava arrastando para andar, com respiração ruim, dormindo mal, com apneia de sono, com muita dificuldade para trabalhar. Surgiu a oportunidade e eu fiz a cirurgia. Estou respirando melhor, podendo andar melhor, mais leve e já estou fazendo a musculação e tomando as vitaminas”, disse Valtemir, que está com 59 kg a menos. O fotógrafo ressalta que o tratamento recebido na unidade foi essencial para a segurança emocional. “Toda a equipe sempre à disposição, com muito carinho e acolhida. Eu me senti muito bem e tranquilo, pois houve transparência sobre tudo que seria feito e a recuperação está sendo rápida. Eu, minha esposa e toda a família estamos felizes com o resultado”, finaliza.

