Com a queda das temperaturas e as variações climáticas típicas desta época do ano, crescem os casos de gripe canina, doença respiratória contagiosa que afeta cães de todas as idades. O aumento de registros preocupa tutores e veterinários, especialmente em ambientes com grande circulação de animais, como pet shops, creches e praças.
A médica veterinária Gabriela Oliveira, que atua no Hospital Veterinário Renato Andrade, do Centro Universitário Funorte, explica que os sintomas da gripe canina são muito semelhantes aos observados em humanos. Entre os principais sinais estão tosse, espirros, secreção nasal, olhos lacrimejando, febre, diminuição do apetite e apatia. Em alguns casos, o animal pode apresentar dificuldade respiratória, especialmente filhotes, idosos ou pacientes com doenças preexistentes.
Segundo a veterinária, os gatos também podem apresentar sintomas respiratórios semelhantes, embora sejam causados por outros agentes virais. “Animais que apresentam sinais respiratórios devem ser encaminhados imediatamente para um médico veterinário, principalmente se houver dificuldade respiratória, febre e falta de apetite. Até a avaliação profissional, alguns cuidados podem ser tomados, como evitar locais úmidos e frios, estimular a hidratação, oferecer alimentação mais palatável e limpar delicadamente, com gaze e soro fisiológico, as secreções presentes no nariz e nos olhos”, orienta Gabriela Oliveira.
Ela destaca ainda que a maioria dos vírus respiratórios de cães e gatos não é transmitida para humanos. Da mesma forma, os vírus respiratórios humanos normalmente não causam gripe nos pets. Uma das principais formas de prevenção é a vacinação. O imunizante, disponível em clínicas veterinárias, deve ser aplicado anualmente e custa, em média, R$ 150.
A analista de marketing Iris Viana conta que passou a vacinar a cadela Amora após perceber sintomas recorrentes durante os períodos frios do ano. “Minha cachorra, Amora, está com 12 anos e há três anos eu procuro imunizá-la contra a gripe. Percebi que ela espirrava muito, chegando até a ter falta de ar. Ela também ficava com o nariz entupido. Achei estranho, porque tudo parecia uma gripe, mas não sabia que os cães também poderiam contrair esse tipo de vírus. Como ela já é idosa, faço a vacinação sempre em fevereiro, para que ela fique protegida durante o frio”, relata.
Gabriela Oliveira reforça que a automedicação deve ser evitada e alerta que sintomas respiratórios nem sempre indicam apenas gripe. “A lavagem nasal deve ser feita apenas quando indicada por um médico veterinário, porque alguns animais podem se estressar bastante com o procedimento. Além disso, tosses e secreções também podem estar relacionadas a pneumonias, alergias, doenças cardíacas e outras alterações respiratórias. Por isso, a avaliação veterinária é fundamental”, finaliza.

