Qualidade de vida

Atividade física ajuda a manter autonomia na velhice

Christine Antonini
antonini.jornalista@gmail.com
Publicado em 30/09/2026 às 19:00.

Envelhecer deixou de ser apenas uma questão de idade. Com o aumento da expectativa de vida e o crescimento da população idosa, o desafio passou a ser também garantir mais autonomia, disposição e qualidade de vida ao longo dos anos. No Brasil, a expectativa de vida chegou a 76,6 anos em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os homens, a média é de 73,3 anos, enquanto entre as mulheres chega a 79,9 anos.

O envelhecimento da população também é cada vez mais evidente. O número de brasileiros com 60 anos ou mais passou de 22 milhões, em 2012, para 34,1 milhões em 2024.

Diante desse cenário, cuidar da saúde antes que os problemas apareçam se torna fundamental. Alimentação equilibrada, acompanhamento médico, sono adequado, convivência social e, principalmente, a prática regular de atividade física estão entre os hábitos que podem contribuir para um envelhecimento mais ativo e independente.

O fisioterapeuta Hudson Alcântara Souza, que mantém uma clínica de Pilates no bairro Santa Rita II, destaca que a maioria dos pacientes está na faixa dos 65 anos. Segundo ele, o público é bastante diversificado, com participação equilibrada de homens e mulheres. 

“É justamente nesse contexto que o Pilates ganha espaço entre o público da terceira idade. A modalidade trabalha, de forma controlada, aspectos como força muscular, flexibilidade, mobilidade, postura, respiração e equilíbrio. Contribui para o alívio de dores crônicas, especialmente na coluna, joelhos e quadris. Além de favorecer a independência funcional, permitindo maior autonomia nas atividades diárias”, pontua o fisioterapeuta. 

Outro destaque é o cenário em relação dos homens com os cuidados com a própria saúde. Durante muito tempo, procurar atendimento médico, fazer exames preventivos ou iniciar uma atividade física era, para muitos, algo deixado para depois. Hoje, a preocupação com a qualidade de vida e a manutenção da autonomia tem levado cada vez mais homens a incorporarem esses cuidados à rotina.

Aos 75 anos de idade, José Augusto Durães, aposentado da antiga Sucam, procurou fazer atividade física após uma indicação médica. “Depois que comecei a fazer o pilates até minhas dores melhoraram. Também melhorou minha qualidade do sono e disposição para atividades da vida diária”, destaca o aposentado. 

Mais do que buscar uma aparência jovem, a preocupação está em preservar a capacidade de realizar as atividades do dia a dia. Caminhar, subir escadas, levantar-se de uma cadeira, carregar compras ou simplesmente manter o equilíbrio são ações que dependem de força, mobilidade e coordenação.

Moradora do bairro Cintra, Maria José Soares, tem 73 anos de idade, e sempre foi ativa – cuidando da casa, filhos e netos. Quando passou dos 60 anos, a aposentada quis continuar se cuidados praticando uma alimentação saudável e atividades físicas. 

“Preciso ter disposição porque, mesmo aposentada, não fico parada. Faço Pilates, cuido dos meus netos, brinco com eles, cozinho para a família e ainda faço sabão artesanal”, ressalta. 

No fim, envelhecer bem não significa impedir a passagem do tempo, mas chegar a cada nova fase com o máximo possível de saúde e independência. Se a expectativa de vida aumentou, a perspectiva agora é fazer com que esses anos a mais sejam acompanhados de movimento, autonomia e qualidade de vida.

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