
A andropausa, ou Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), é a redução gradual da testosterona com o avanço da idade. Diferente da menopausa, que interrompe definitivamente a produção hormonal feminina, a queda masculina é lenta, de cerca de 1% ao ano a partir dos 40 anos. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apontam que 57% dos homens desconhecem a condição e 30% têm sintomas sem saber a causa. Quando não tratada, a DAEM afeta a saúde física, mental e sexual, embora nem todos os homens manifestem sintomas ou precisem de terapia.
Segundo o médico urologista Evaldo Jener, praticamente todos os homens passarão por esse processo fisiológico, porém a intensidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa. “A produção de testosterona começa a diminuir entre os 30 e 35 anos, em média 1% ao ano. Isso faz parte do envelhecimento natural, mas nem todos os homens terão sintomas importantes. Com a chegada dos 40 anos, muitos homens começam a apresentar os primeiros sintomas, como déficit de cognição, dificuldade de concentração e maior dificuldade para ganhar massa muscular. A partir dos 50 anos, esses sinais costumam se tornar mais evidentes. Entre os 60 e 70 anos, são mais comuns alterações como disfunção erétil, aumento do peso corporal e perda de massa e força muscular”, explica.
Além desses sintomas, irritabilidade, sonolência, cansaço constante, diminuição da libido, dificuldade de ereção e redução dos pelos corporais também podem indicar a queda dos níveis de testosterona. Embora o envelhecimento seja um fator natural, alguns hábitos podem acelerar a manifestação da deficiência hormonal.
“No sistema nervoso central, existem receptores de testosterona, e isso pode interferir diretamente na saúde mental e na qualidade do sono. Homens sedentários, que consomem bebidas alcoólicas em excesso, fumam, dormem pouco ou vivem sob estresse intenso e prolongado, podem desenvolver os sintomas da andropausa mais precocemente”, explica Evaldo Jener.
O técnico em segurança do trabalho, Adriano Antunes de Sá, de 40 anos de idade, começou a sentir os sintomas da andropausa por volta dos 37 anos. Ele afirma que não sabia o que era — entre os sintomas estavam a irritabilidade e calor intenso ao acordar. “Eu não sabia o que era, não sabia mesmo. Achei que estava estranho devido à correria do dia a dia. Já escutei falar da menopausa. Mas, com o passar dos anos, a situação foi piorando, principalmente meu relacionamento com minha esposa — foi quando ela pediu para eu procurar um médico”, conta Adriano.
Após fazer exames laboratoriais e adequar um protocolo para melhorar a qualidade de vida, o diagnóstico da andropausa veio. Adriano lembra que ele estava com 39 anos e o mais difícil foi contar para a esposa. “Minha esposa é nove anos mais nova que eu. Achei que ela poderia me ver como impotente ou que, ao longo dos anos, eu não serviria como homem. Mas, fui muito bem acolhido por ela. No meu caso, fiz um período de reposição hormonal e agora mudei meus hábitos — como fazer musculação, parei de fumar e reduzi bebidas alcoólicas. É normal!”, detalha.
O médico ressalta que testosterona baixa nem sempre significa andropausa clínica. “Há pacientes que apresentam níveis reduzidos de testosterona, mas praticamente não possuem sintomas. Por isso, o diagnóstico depende da avaliação clínica associada aos exames laboratoriais.”
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
O diagnóstico da andropausa baseia-se em sintomas, histórico clínico e exames laboratoriais de testosterona. A deficiência do hormônio causa diminuição da libido, disfunção erétil, perda de massa óssea e muscular, além de aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Quando indicada, a reposição hormonal é uma alternativa segura, desde que realizada com acompanhamento médico.
“Após a confirmação clínica e laboratorial, alguns pacientes podem iniciar protocolos para aumentar os níveis de testosterona. Entretanto, nem todos podem realizar a reposição. Homens com histórico de câncer de próstata, câncer de mama ou insuficiência cardíaca, por exemplo, possuem contraindicações importantes”, alerta o urologista.
Outro ponto que chama a atenção dos especialistas é o crescimento do uso inadequado de medicamentos para melhora do desempenho sexual e da aparência física. “Atualmente, vivemos um momento de uso descontrolado de estimulantes sexuais, como a tadalafila, que também vem sendo utilizada com finalidade estética, para evidenciar a vascularização e transmitir uma aparência de maior força física. Esse uso indiscriminado pode trazer consequências graves para a saúde ao longo da vida”, adverte Evaldo Jener.
ESTILO DE VIDA
Além do tratamento medicamentoso, mudanças no estilo de vida são consideradas essenciais para preservar a saúde hormonal masculina. Praticar atividades físicas regularmente, manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, dormir bem, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, abandonar o cigarro e controlar o estresse ajudam a retardar a perda da testosterona e a minimizar seus efeitos. Apesar disso, a resistência dos homens em procurar atendimento médico ainda representa um desafio.
“Ainda existe muita resistência do homem em procurar ajuda médica. Costumamos adiar consultas, exames de rotina e o cuidado com a saúde por medo de um diagnóstico ou por priorizar outras questões da vida. Esse comportamento dificulta o diagnóstico precoce não apenas da deficiência de testosterona, mas também de diversas outras doenças”, conclui o especialista.
