O governador de Minas, Romeu Zema (Novo), anunciou, nesta terça-feira (16), a entrega de 500 respiradores para o combate à Covid-19 no Estado, sendo a maior parte adquirida com recursos compensatórios pelo rompimento da barragem da  Samarco em Mariana, na região Central, além de equipamentos doados pelo governo federal. Zema também divulgou o acréscimo de 79 leitos de UTI para o interior do Estado. Em um dos pontos principais da coletiva, realizada na Cidade Administrativa, o gestor informou que não procede a informação de que Belo Horizonte está sobrecarregada com casos do interior. Assista à coletiva aqui

"A alegação de que a capital está ficando sobrecarregada não procede. Isso é histórico. Sempre aconteceu. O SUS é muito anterior ao meu governo e ao governo de qualquer outro mandatário. Isso sempre foi prática. Não existe, definitivamente, essa questão de que o interior está enviando pessoas para a capital. Isso sempre foi uma prática porque os hospitais foram construídos aqui para esta finalidade", afirmou.  

A afirmação de Zema, sem citar nomes, vem após a Prefeitura de Belo Horizonte ter declarado, em coletiva, na última sexta-feira (12), que há um aumento "expressivo" de casos confirmados da Covid-19 no interior do Estado, o que provocaria, ainda na análise da gestão municipal, uma pressão na ocupação de leitos da capital. No mês passado, o prefeito da capital, Alexandre Kalil (PSD), chegou a dizer que BH estava virando "um grande importador de doentes".

Conforme o gestor estadual, BH já passou pela ampliação de leitos, nos hospitais Eduardo de Menezes e Júlia Kubitschek, no Barreiro. Segundo ele, "muito tem se falado" sobre a abertura do Hospital de Campanha do Expominas, na região Oeste de BH, mas a entrada em funcionamento não ocorrerá por agora.

"Nós estamos ampliando continuamente o número de leitos de UTI's e o paciente que entra no hospital é muito mais bem atendido e tem acesso a muito mais recursos do que ele teria num hospital de campanha. Vale lembrar que em um hospital você tem toda uma estrutura de exames complementares, de acesso a recursos, que um hospital de campanha não tem", declarou. Apesar disso, Zema reforçou que os centros médicos de retaguarda estão aptos a começar a funcionar tão logo for necessário.

500 respiradores

Conforme o governo de Minas, dos 500 respiradores, 420 foram comprados com dinheiro da Samarco e suas controladoras (Vale e BHP), acessível após Ação Civil Pública movida contra a empresa, a título de garantia pelos danos causados em 2015, em Mariana. Outras 80 unidades de respiradores vêm de doação federal. Dos 420 equipamentos adquiridos pelo Estado, 300 são não-invasivos, considerados mais simples, e 120 são para uso em casos mais complexos.

"Tenho o prazer, hoje, de estar anunciando a entrega de 500 respiradores que nós conseguimos adquirir e também receber do governo federal. Alguns deles nós já temos destino: 20 serão destinados a Valadares (Vale do Rio Doce) e Diamantina (Central), que são duas cidades que carecem desses equipamentos, aonde nós tivemos um crescimento no número de casos. E estaremos ainda distribuindo os demais", informou.

Na ocasião, Zema se solidarizou com familiares de vítimas após a chegada, nesta terça-feira, ao número de 502 óbitos pela doença causada pelo coronavírus no Estado. "Uma notícia muito triste. Lamento muito e me solidarizo com os familiares dessas 502 pessoas que faleceram", disse. Segundo o gestor, nessa segunda-feira (15), apenas o estado do Mato Grosso do Sul tinha posição melhor do que Minas na relação de óbitos por 100 mil habitantes.

O anúncio dos novos respiradores e leitos contou com as presenças do advogado-geral do Estado, Sérgio Pessoa, e do juiz federal, Mario de Paula Franco Junior, responsável pelo caso Samarco. Como lembrou Zema, as aquisições dos equipamentos foram autorizadas pelo Judiciário, após petições ajuizadas pela Advocacia-Geral do Estado (AGE). 


Novos leitos

Zema também informou que Minas amplia, nesta terça, o número de leitos de UTI no interior, com 79 novas vagas. Dessa forma, o Estado passa a contar com 2.964 leitos desse tipo. "Anterioramente, o número era 2885. Hoje, a situação da estrutura do Estado é muito superior àquela que nós tínhamos há 90 dias, quando a pandemia chegou e iniciou. De lá para cá, nós tivemos tempo de estruturarmos a saúde", disse.

Conforme Zema, o número de UTI's ocupadas por pessoas com a Covid-19 ou em suspeita da doença no Estado está em 13,2% na atualidade. "Não é mais um número tão confortável quanto aquele que nós tínhamos há 45, 60 dias atrás, que estava por volta de 5 ou 6%, mas lembro que nós ainda temos um bom colchão de segurança", afirmou. 

Segundo o gestor, as vagas estão distribuídas entre os municípios de Lavras (Sul), Itaúna (Centro-Oeste), Ipatinga (Vale do Rio Doce), Patrocínio (Alto Paranaíba), São Sebastião do Paraíso (Sul), Divinópolis (Centro-Oeste), Ouro Preto (Central), João Monlevade (Central), Montes Claros (Norte), Coronel Fabriciano (Vale do Rio Doce), Governador Valadares (Vale do Rio Doce), Unaí (Noroeste), Uberlândia (Triângulo Mineiro), Barbacena (Central), Teófilo Otoni (Vale do Jequitinhonha), Salinas (Norte), Taiobeiras (Norte), Lagoa da Prata (Centro-Oeste) e Conselheiro Lafaiete (Central).


Isolamento deve continuar

Ao encerrar o pronunciamento, Zema pediu à população que não relaxe quanto ao isolamento ou distanciamento sociais. Conforme ele, há um aumento de casos e óbitos, sobretudo em algumas regiões, motivo pelo qual o Estado segue em conversa constante com os secretários municipais de saúde e prefeitos, e solicitando medidas para a reversão do quadro.

"Não é hora de relaxarmos. Nós temos de manter o isolamento para aqueles que conseguem. Para aqueles que não conseguem ficar isolados, as medidas de distanciamento. As medidas de uso de máscara, de higienização. Nós vamos ter de conviver com isso por muitos e muitos meses", finalizou.