A circulação da variante Delta do novo coronavírus cresce em Minas e também em Montes Claros. Sete em cada dez amostras sequenciadas do vírus já são positivas para a variante no Estado. Em algumas regiões, 100% dos testes indicam a cepa mais transmissível, como em Juiz de Fora, na Zona da Mata.

Até o momento, são 628 casos da mutação, identificados em 130 cidades mineiras. Nove óbitos foram confirmados.

O avanço cada vez mais acelerado da Delta no Estado consta em relatório da UFMG. Conforme Renan Pedra, pesquisador do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da instituição, a tendência é a de que a mutação se torne a única em circulação. 

“A gente já esperava esse perfil de substituição (da Gama para Delta). Está tudo caminhando para que ela (Delta) fixe, e a gente não tenha mais as outras. Isso até um possível surgimento de uma nova cepa”, diz.

O professor também destacou o aumento nos casos identificados. “Já temos regionais que chegaram a 100% dos casos para a cepa, como Juiz de Fora, Teófilo Otoni e Manhuaçu”.

Na Regional de Montes Claros, o crescimento vem sendo percebido desde o final de julho. Na semana de 18 a 24 de julho, a taxa de resultados positivos para Delta nas amostras analisadas era de 4,5%. Percentual que saltou para 47,6% no período de 22 a 28 de agosto e que chega agora a 75%, na semana de 5 a 11 de setembro.
 
PROTEÇÃO
Em meio ao avanço da cepa, o caminho para evitar que o cenário se agrave é um só: proteção, com uso de máscara, higienização das mãos e imunização com as duas doses da vacina contra a Covid. 

“Mas, mesmo com níveis altos de anticorpos, é preciso que a gente siga as medidas de proteção, já que, mesmo com a vacina, as pessoas continuam podendo transmitir a doença”, afirma o infectologista da Santa Casa BH, Alexandre Sampaio Moura. 
 
AMPLIAÇÃO DA TERCEIRA DOSE
O avanço da Delta no Estado e no país também evidencia a necessidade da aplicação da terceira dose em idosos, considerados mais vulneráveis.

Na terça-feira, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que a campanha de vacinação com reforço será ampliada para pessoas acima de 60 anos. Entram neste grupo somente os que tomaram a segunda dose há mais de seis meses no Brasil.

Até agora, o Ministério da Saúde havia anunciado a dose de reforço para imunossuprimidos, profissionais de saúde e pessoas com 70 anos ou mais.

“Em pessoas idosas, que são as que perdem imunidade com o tempo, a dose de reforço é importante para que se possa manter todos os níveis de imunização. É preciso garantir que todo mundo esteja protegido para que a doença não circule”, acrescenta o infectologista. 

SAIBA MAIS
No Estado, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), a Delta já infectou desde bebês de apenas 1 mês a idosos de 95 anos. As mulheres são as mais contaminadas – 357 casos são do sexo feminino. 
 
Até a última sexta-feira (24), eram 711 casos. Os atuais 628, segundo a SES, se devem por conta de uma revisão no banco de dados, que identificou informações de amostras repetidas. 
 
Já o número de óbitos segue estável. As mortes foram registradas em Belo Horizonte, Contagem, Piraúba, Caratinga (2), Rio Novo, Claro dos Poções, Uberaba e Cabeceira Grande.