O Ministério da Saúde deve suspender o intervalo entre a aplicação das vacinas contra a gripe e a Covid-19 no Brasil. De acordo com o ministro-substituto da pasta, Rodrigo Cruz, uma nota técnica pode sair nos próximos dias para formalizar a alteração.

Antes da recomendação, a medida foi discutida pela Comissão Técnica do ministério, com o objetivo de aumentar a adesão à Campanha Nacional de Imunização contra a gripe, mas sem prejudicar o cronograma contra o novo coronavírus.

“Por enquanto, a recomendação é que (a suspensão do intervalo) seja feita para a vacina da gripe, que terá campanha lançada em breve”, confirmou Cruz.

“Nós fizemos a recomendação para o cidadão aproveitar que está indo ao posto de saúde tomar a segunda dose contra a Covid-19 e já tome também o imunizante contra a gripe. A Câmara Técnica mostrou um estudo em que aponta que é seguro, que não há problema nenhum lançar mão dessa estratégia (de suspender o intervalo)”, explicou o ministro-substituto.

Atualmente, a recomendação do Ministério da Saúde é que haja um intervalo de 14 dias entre a aplicação das duas vacinas.

Como a pandemia reduziu a circulação das pessoas pelas ruas, a pasta percebeu ainda que a adesão à imunização contra a gripe tem sido menor que o esperado.

“A gente observa que não houve um comportamento que vinha sendo praticado ao longo dos anos. Teve uma diminuição. O incentivo do ministério é que todos procurem os postos de saúde para que continuem a imunização nas campanhas regulares”, concluiu Cruz.
 
FORA DA META
Em Montes Claros, o grupo dos idosos – sempre um dos primeiros a bater a meta de 95% de imunização – ainda não atingiu o índice desejado. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, apenas 80% desse público buscou a dose contra a Influenza.

Por causa da pandemia, Cássia Rodrigues, aos 61 anos, ficou temerosa de buscar o imunizante contra a gripe. “Tive receio de misturar as vacinas e optei pela imunização contra a Covid, mesmo com o intervalo de três meses entre uma e outra dose. Agora que já completei o ciclo e venceu o prazo, vou ao posto me vacinar contra a gripe. Nunca tomei antes, mas sei que é necessária, porque previne o resfriado comum que, muitas vezes, pode ser confundido com a Covid”, diz.

Na situação inversa está a engenheira Bruna Lima que, por estar gestante, optou pela vacinação contra a gripe antes da vacina contra a Covid. “Assim que abriu para gestante eu me vacinei. Com relação à Covid, eu preferi aguardar porque havia muitas dúvidas envolvendo a AstraZeneca, como risco para trombose e não havia outra vacina disponível. Assim que foi permitido, eu me vacinei com a Pfizer”, conta.
 
TERCEIRA DOSE AMPLIADA 
Outra medida adotada pelo Ministério da Saúde nesta semana é a ampliação da aplicação da dose de reforço contra a Covid-19.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou na manhã desta terça-feira (28) que a terceira dose já pode ser aplicada em pessoas acima de 60 anos. Entram nesse grupo somente os que tomaram a segunda dose há mais de seis meses no Brasil. 

Essa nova etapa deve incluir cerca de 7 milhões de pessoas no país. “Além dos idosos com mais de 70 anos e os profissionais de saúde, que já foram anunciados como contemplados com o reforço, agora, o Ministério da Saúde vai atender aqueles com mais de 60 anos”, disse.

Até agora, o Ministério da Saúde havia anunciado a dose de reforço para imunossuprimidos, profissionais de saúde e pessoas com 70 anos ou mais.

*Com Agência Brasil e Márcia Vieira