A falta de 15 médicos na rede pública de Montes Claros, que deveriam atuar em quatro postos de saúde da zona rural e em 11 da área urbana, somada ao surto de dengue na cidade, tem deixado pacientes aguardando horas no pronto-atendimento do Alpheu de Quadros, no bairro Santo Antônio.

Sem os médicos nas unidades básicas de saúde, o atendimento de baixa e média complexidades fica comprometido e os pacientes são orientados a procurar o pronto-atendimento municipal que, segundo denúncias dos moradores, há algum tempo não vem suportando a alta demanda.

Segundo o Boletim Epidemiológico de Monitoramento dos casos de Dengue, Chikungunya e Zika Vírus, divulgado no último dia 29, Montes Claros registrou neste ano 899 casos prováveis da doença. A cidade tem ainda oito casos suspeitos de chikungunya e outros 23 de zika. Para quem está na fila sentindo dores, a espera é interminável.

Pessoas que aguardavam ontem na porta do Alpheu de Quadros para serem atendidas relataram que a espera pode durar mais de 12 horas. A atenção para crianças pode demorar até sete horas.

O eletricista Eder Wilham Barbosa, de 27 anos, aguardava há quatro horas por atendimento e ainda sem previsão de conseguir alívio. “Fui informado que serei atendido, mas que vai demorar”, disse, contando que os sintomas eram de dengue. O lavrador Antônio Ferreira Santos, de 53 anos, foi atendido e teve a doença diagnosticada. “Esperei a manhã toda”, afirmou.
 
ALTA DEMANDA
A diretora administrativa do Alpheu de Quadros, Socorro Carvalho, disse que a demanda na unidade está “fora do normal” e confirmou que o problema está relacionado à doença e à falta de profissionais.

“Já está caracterizado que temos um surto de dengue na cidade, então a procura pelo hospital aumentou. Além disso, tivemos outros problemas, como a falta de médicos, então os atendimentos se concentraram aqui. O Alpheu é o único que atende 24h, incluindo os fins de semana. Então, as pessoas vêm para cá sabendo que serão atendidas, mesmo se demorar. Estamos atendendo mais de 400 pessoas por dia”, enfatiza a diretora.

Ela conta que ainda ontem seria realizada uma reunião com representantes da saúde do município para traçar um plano de contingência com objetivo de melhorar o atendimento à população.
 
BAIXO SALÁRIO
O vereador Doutor João Paulo Bispo (PSB) chegou a afirmar, durante reunião ordinária na Câmara, que o Programa Mais Médicos está funcionando normalmente na cidade, mas devido ao baixo valor oferecido, os médicos optam em não assumir os cargos.

O parlamentar afirma que o salário ofertado é de cerca de R$ 5 mil, enquanto o correto seria em torno de R$ 10 mil. Um médico, que prefere não se identificar com medo de represálias, contou que a cidade tem um dos piores salários do país e que não compensa para o profissional aceitar o trabalho.

A prefeitura foi procurada, mas não respondeu até o fechamento desta edição.