Um tênis desenvolvido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tem potencial para proteger os pés de crianças com epidermólise bolhosa (EB), doença que provoca a formação de bolhas na pele após mínimos atritos. O calçado de borracha também pode ajudar as com Síndrome de Down a caminhar corretamente.

A pesquisa é feita em parceira com a empresa Noeh, que já colocou no mercado uma versão que simula andar descalço na terra. Os trabalhos são feitos no Laboratório de Análise de Movimento (LAM), da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional.

As análises atuais contam com a participação de 15 crianças com a epidermólise. Devido às lesões cutâneas, quem tem a enfermidade costuma usar a lateral do pé ao caminhar para evitar as áreas doloridas, o que pode prejudicar articulações do tornozelo e joelho. O mau hábito também pode aumentar a pressão sobre quadril e coluna.

Além de prometer mais conforto, o tênis visa a ajudar no desenvolvimento correto da musculatura e a evitar pisadas tortas. 

“A curto prazo, a criança vai ficar mais equilibrada e segura com o sapato. A médio prazo, terá um pé mais bem formado. E a longo prazo, vai prevenir dores no quadril, joelho e calcanhar”, diz a pesquisadora Ana Paula Lage. Segundo ela, a previsão para conclusão dos estudos é em dezembro deste ano.

Já com relação às crianças com Down, a pesquisa tenta comprovar o potencial para uma caminhada menos instável. “Oferece maior estímulo muscular, equilíbrio e posicionamento natural dos pés das crianças”, explicou Ana Paula. As análises, no entanto, ainda são preliminares. Resultado da pesquisa deve sair em março de 2022.

 
Modelo atual
O produto atual, com solado que “imita” pisar na terra, não sai por menos de R$ 200. Modelos gratuitos são oferecidos para crianças da Apae de BH e das instituições SOS EB Kids e CrisDown.

* Especial para o Hoje em Dia