Estação preferida de muitas pessoas, o verão, que começa em duas semanas, é sinônimo de pavor para algumas gestantes. A época mais quente do ano favorece a dilatação dos vasos sanguíneos e, consequentemente, o inchaço, sobretudo das pernas, mais suscetíveis às varizes. Adaptações simples no dia a dia, como dormir do lado certo e beber mais água, aliviam desconfortos e evitam problemas. 

Grávida de sete meses de um casal de gêmeos, Daniela Murad, de 40 anos, seguiu as recomendações do médico ao incluir na rotina drenagens linfáticas semanais feitas por fisioterapeuta. “Engordei muito pouco e, ainda assim, incho e tenho sensação de cansaço nas pernas. A drenagem ajuda demais”, diz a jornalista, que também sente mais conforto ao deitar-se do lado esquerdo. 

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, Bruno Naves explica que, a partir do sétimo mês de gestação, o útero mais volumoso passa a comprimir a veia cava – localizada à direita, na barriga, e responsável por levar sangue do abdômen e dos membros inferiores ao coração. 

A recomendação é deitar-se do lado contrário a ela, liberando a circulação nas pernas e o fluxo sanguíneo para a placenta, inclusive. “Na gravidez, os hormônios ajudam a dilatar os vasos, principalmente as veias, e o sangue passa a correr mais lentamente, o que por si só ajuda a inchar. Excesso de peso e diminuição no ritmo das atividades físicas também pioram o quadro”, diz o angiologista.
 
MEIAS
Desconfortáveis num primeiro momento, as meias de compressão também contribuem para aliviar o aumento de volume de pernas e pés. A orientação é usá-las diariamente e pelo máximo de tempo possível. 

Outra dica do angiologista é, deitada, a mulher manter os membros inferiores levantados acima da altura do coração por 10 a 15 minutos, duas a três vezes por dia. “Auxilia no retorno venoso”, explica o médico.

Influenciadas pela genética, as varizes são vasos dilatados sob a pele. Embora pareçam problema meramente estético, aumentam em até cinco vezes o risco de coágulos nos vasos sanguíneos, indicam pesquisas. Quando não tratada, também pode provocar hemorragias. 

“Nesta fase é importante evitar alimentos ricos em sódio, embutidos, biscoitos recheados, pizzas e lasanhas industrializadas, além de não adicionar mais sal aos pratos”
Aline Cristina Pinheiro Amorim de Melo - Professora no curso de Nutrição das Faculdades Kennedy

 

SAIBA MAIS
Presidente eleito da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Agnaldo Lopes explica que, durante a gestação, as alterações cardiocirculatórias ficam aceleradas, mas o funcionamento gastrointestinal, mais lento. Potencializadas pelo calor excessivo do verão e pela ação de hormônios, mal-estar e tonturas tornam-se mais frequentes. A recomendação do ginecologista é alimentar-se regularmente, evitando grandes períodos em jejum, e caprichar na hidratação, tomando pelo menos dois litros de água por dia.  
 
Outro problema comum entre as grávidas nos meses mais quentes do ano são as infecções fúngicas, como a candidíase. Gestantes que forem a praias ou clubes não devem permanecer com roupas de banho molhadas por muito tempo. O médico também recomenda dormir sem calcinha ou usar peças de algodão, que permitem melhor ventilação vaginal. A predisposição às infecções por fungo está ligada ao estrogênio, hormônio feminino, e a alterações da flora vaginal em função de mudanças metabólicas.