Um equipamento capaz de evitar, ou no mínimo adiar, a intubação de pacientes com Covid é testado no Hospital Risoleta Tolentino Neves, unidade de saúde 100% SUS, na região Norte de BH. A oxigenoterapia hiperbárica fornece oxigênio puro, em uma câmara hermeticamente fechada, ao dobro da pressão atmosférica.

O hospital é o primeiro do Brasil a utilizar a terapia em infectados com o novo coronavírus. O procedimento começou há duas semanas. Os resultados iniciais ainda estão sendo avaliados. O mesmo uso tem ocorrido desde 2020 na Suécia, Estados Unidos e França, com resultados satisfatórios devido à recuperação mais rápida do doente.

O equipamento é um complemento à terapia padrão dos casos de Covid. São de cinco a seis sessões de uma hora e meia cada. No Risoleta, a terapia só será adotada com autorização do paciente ou familiar. Serão tratados internados da enfermaria sem indicação para intubação, mas que estejam com a saturação de oxigênio abaixo de 93%.

Os testes podem durar até quatro meses e serão conduzidos pelo coordenador da Cirurgia Vascular do Risoleta Neves, Tulio Navarro. “Caso dê certo, trará inúmeros benefícios e efeitos positivos na cadeia do sistema de saúde. Menos pacientes precisarão de CTI e intubação, o índice de mortalidade da doença cairia, os gastos do sistema seriam reduzidos, além de trazer um conforto maior para o paciente e a menor sobrecarga do sistema”.

A câmara é de aço e acrílico. Capaz de reduzir infecções, ainda poderá ser usada para outros tratamentos, como ferimentos diversos na pele. “Queremos utilizar o equipamento em pacientes com feridas atendidos pela equipe multidisciplinar da cirurgia vascular visando a recuperação tecidual, proteção contra infecções e salvamento de membros, como terapia adjuvante”, acrescenta Navarro.

O equipamento foi doado pela indústria Oxy Câmaras Hiperbáricas, de São Paulo. Diretora geral da unidade de saúde, Alzira Jorge destacou que o atual de enfrentamento à pandemia é delicado, e que a ciência não pode ser desacreditada. 

“Somos referência em assistência, ensino e pesquisa. A ciência é uma aliada da saúde. É muito importante que a indústria colabore com a melhoria da saúde de nossos pacientes, por meio de novas tecnologias e que essa responsabilidade social se traduza em benefícios para a população”.


Mário Ribeiro oferece mais conforto a pacientes com uso de ‘capacete’ 

Porta de entrada para pacientes com Covid-19 no Norte de Minas, o Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira consegue melhorar o quadro clínico de pacientes com o Helmet, capacete utilizado para realizar uma ventilação não invasiva e prática, fundamental na recuperação de vítimas do novo coronavírus. 

“A ventilação, que geralmente é feita com o uso de máscara, causa um desconforto pela pressão dessa ventilação. Já o Helmet proporciona um conforto a mais para esse paciente suportar essa ventilação”, diz a fisioterapeuta Dayane Hoed.

“O Helmet é usado em paciente que chega ao pronto-atendimento ou na clínica com uma taquipneia (respiração acelerada), frequência respiratória alta e desconforto respiratório. Através de um exame, a gasometria arterial, vamos saber se esse paciente necessita de um suporte ventilatório invasivo ou não invasivo”, explica Dayane.

Se houver a necessidade de um suporte não invasivo, o “capacete” é utilizado para conseguir deixar o paciente mais tempo na ventilação e, com isso, melhorar os exames laboratoriais que vão dizer se há evolução no quadro com a ventilação não invasiva, conta a fisioterapeuta.
 
TECNOLOGIA
Ainda de acordo com a fisioterapeuta, o HC tem feito a associação do Helmet com o cateter nasal de alto fluxo, que tem apresentado um excelente resultado, tanto na melhora de recrutamento alveolar, como para troca gasosa e para aquele paciente que precisa de aporte de oxigênio.

“Estou apaixonada pelos resultados do uso do Helmet. Estudei todo o processo de utilização e entendemos que não são todos os pacientes que têm indicação. Há todo o procedimento e técnica para utilização do acessório. O hospital tem nos dado todo o suporte necessário e conta hoje com os aparelhos mais modernos para o tratamento da Covid-19”.

*) Especial para o Hoje em Dia e O Norte