Um apagão interrompeu o fornecimento de remédios especiais na Farmácia de Todos em Montes Claros e em todo o Estado. O espaço, administrado pela Prefeitura de Montes Claros, é responsável pela distribuição dos medicamentos enviados pelo SUS e pelo governo do Estado. A falta é maior para os remédios contra esclerose múltipla, que há mais de dois meses desapareceram das prateleiras.

Dentre eles o Gilenya (Fingolimod), do Laboratório Novartis, que é importado e distribuído pelo SUS. Não existe o Gilenya para a compra no Brasil. No exterior, uma caixa com 30 comprimidos, que dura um mês, custa em torno de R$ 9 mil.

Gilenya é um medicamento utilizado para tratar a esclerose múltipla remitente recorrente, uma doença autoimune. A ação do remédio reduz o número de ataques e diminui o número de recidivas graves e as tratadas no hospital, minimizando a progressão e os problemas médicos em função da doença.

Uma das pacientes que está sofrendo em Montes Claros é Gislene Machado Souto, que há 14 anos vinha recebendo regularmente o remédio através do SUS. Ela conta que toma o medicamento todos os dias para controle da esclerose múltipla.
 
SEM CONTROLE
“Sem esse medicamento, eu não consigo controlar a doença. Sem o remédio, estou sujeita a surtos e crises agudas a qualquer momento. A esclerose não avisa quando vai atacar e pode atingir qualquer parte do corpo. Temos necessidade do medicamento diário, tanto eu quanto outras milhares de pessoas que não estão conseguindo o medicamento no SUS”, explica.

Há mais de dois meses, segundo Gislene, o Gilenya está em falta em Montes Claros. “Você vai na secretaria e eles não sabem quando vai chegar”, diz. Vários desses remédios de alto custo estão em falta no mercado, seja por problema de licitação ou de matéria-prima. Recentemente, os portadores de hanseníase também ficaram sem medicamentos.

Em Montes Claros, uma fonte da secretaria Municipal de Saúde, que pediu para que não fosse identificada, disse que a responsabilidade de aquisição do medicamento Gilenya é do Ministério da Saúde. Na prefeitura, não há informação oficial sobre a falta da medicação, apenas que o processo de compra estaria em fase final, o que não foi confirmado.

Médicos consultados em Montes Claros e em Belo Horizonte afirmam que há muitas pessoas na mesma situação de Gislene. “É um crime essa irresponsabilidade”, disse um deles.

A reportagem de O NORTE entrou em contato com o Ministério da Saúde, na sexta-feira (12), para saber o motivo da falta do medicamento e se há previsão de distribuição aos estados. Mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. Da mesma forma a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais foi procurada, mas não respondeu à demanda.