O número de mortes no principal grupo de risco da Covid-19 em Minas assusta, reforçando alerta máximo aos idosos. Em menos de 11 meses de pandemia, 12.631 pessoas com mais de 60 anos perderam a vida após contrair o vírus. A quantidade de óbitos é maior do que a população de 558 cidades do Estado – equivalente a 65% dos 853 municípios. 

A comparação foi feita com base em estimativas do IBGE. Idade avançada e imunidade mais baixa atestam a vulnerabilidade dessa população frente ao novo coronavírus. 

Em Montes Claros, os idosos não lideram o número de confirmações da doença, mas são as principais vítimas fatais. Até esta terça-feira (9), 2.483 pessoas com mais de 60 anos haviam contraído o novo coronavírus na cidade – menos da metade do grupo de 40 a 59 anos, que somava 5.594 confirmações.

No entanto, ao se analisar o número de mortes, a estatística se inverte: 199 óbitos foram registrados entre os maiores de 60 anos, número quase quatro vezes maior que as 48 mortes na faixa de 40 a 59 anos.

A aposta para blindar parte do público é a vacinação. Desde a semana passada, o município iniciou a imunização desse público. Começou pelos maiores de 90 anos e, agora, já está protegendo quem tem mais de 85 anos.

Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano reforça os riscos. “Às vezes, eles (idosos) têm órgãos comprometidos que precisam estar funcionando perfeitamente para combater quadros graves. Se você tem um pulmão acometido, precisa de um coração muito bom para fazer frente a esse grave problema pulmonar. Se o idoso tem um coração frágil, não fará frente às demandas”.

Também infectologista e integrante do Comitê de Combate à Covid em BH, Carlos Starling acrescenta que essa parcela da população, em geral, já é portadora de outras doenças. “Como hipertensão e diabetes. Assim, são mais vulneráveis a qualquer infecção”.

Mesmo com os riscos, não é difícil flagrar idosos nas ruas de Montes Claros. Muitos, na verdade, se veem obrigados a sair de casa. Sem ajuda, precisam ir ao banco ou a consulta médica, destaca Starling.

“Boa parte dessas pessoas mora sozinha. Portando, vulneráveis à contaminação a partir de terceiros ou da necessidade de sair da residência. Assim, são expostos a aglomerações”, acrescenta o especialista.

Mudar esse cenário é algo urgente. Para isso, destaca o médico, o papel da família é fundamental. “Cuidar, assistir, mas também não ser fonte de exposição”. Ele lembra que muitas pessoas que vivem com idosos saem e se aglomeram, levando o vírus para dentro de casa. 

*Com informações de Maria Amélia Ávila