No restaurante, basta olhar para o lado e você vai ver: sempre tem alguém colocando ainda mais sal na comida. Não é à toa que o brasileiro consome quase o dobro do produto recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). E não tem idade nem sexo para os excessos: todos abusam do que acreditam dar mais sabor aos alimentos.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a UFMG e o Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. Para se chegar aos resultados, contou com a análise de sangue e urina de cerca de 9 mil pessoas.

Em média, a ingestão chega a ser de 9,34 gramas (g) por dia, enquanto o ideal seria apenas de 5 g. Como resultado, problemas de saúde que vão desde pressão alta a doenças cardiovasculares.
 
CUIDADOS
Não para por aí. Quem tem hipertensão pode desenvolver mais enfermidades. Nesses casos, os rins são os mais atingidos. “A redução do sal na alimentação tem potencial para diminuir uma grande fração de mortes prematuras e aumentar a expectativa de vida saudável da população brasileira”, destaca a nefrologista Ana Beatriz Barra.

A especialista, que é gerente médica da Fresenius Medical Care, defende a baixa ingestão do produto aliada à prática de atividades físicas e uma dieta balanceada. “É uma das maneiras mais eficazes e de baixo custo de se prevenir contra a insuficiência renal. Isso deve ser encarado como um bom hábito, não um sacrifício”. 
 
XÔ INDUSTRIALIZADO!
A alimentação saudável também é a recomendação de Cid Pitombo, cirurgião no Hospital Estadual Carlos Chagas, onde coordena o Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro. Para ele, riscar os industrializados, que têm alto teor de sódio e muitas calorias, é uma necessidade urgente.

“O governo deve ser mais incisivo nas políticas de orientação às famílias sobre correto uso de alimentos e no controle do acesso aos industrializados que, claramente, levam a um sério problema de saúde pública que é a obesidade”, destaca o médico.

SAIBA MAIS
A coleta de sangue e urina das 9 mil pessoas que participaram da pesquisa foi feita em 2013 e 2014. O estudo também apontou que os homens e os jovens são a maior parte dos que abusam do sal. Mas indica ainda que a utilização elevada é de forma generalizada na população brasileira, em todas as faixas etárias e níveis de escolaridade. De acordo com a avaliação, apenas 2,39% dos pesquisados consomem menos de cinco gramas do produto por dia.  
 
A ingestão excessiva de sal, mais de 12 gramas por dia, foi mais frequente em homens (15,7%). Entre as mulheres, 10,8%. No grupo com escolaridade mais alta, 11,35% têm o consumo elevado de sal, a menor proporção. O trabalho dos pesquisadores alerta para a necessidade dos programas de redução de consumo chegarem a todas as subcategorias e não somente a grupos específicos, como portadores de hipertensão ou doenças renais.