Palavras de carinho e otimismo para receber os pacientes com Covid-19. Na simplicidade dos gestos, a equipe médica do Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HC), em Montes Claros, acolhe cada paciente, deixando-os confortáveis e reconfortados durante o período de internação, tempo em que precisam estar longe da família e cheios de fragilidades. Por isso, cada gesto é feito com cuidado e de forma humana.

Um dentre centenas de personagens nessa história de solidariedade e amor à profissão e à vida é o médico Alisson de Araújo Oliveira, de 41 anos. Ele atua na linha de frente no combate à Covid-19 no HC e representa, aqui, todos os outros profissionais que têm se dedicado incansavelmente aos cuidados dedicados a cada paciente.

Natural de Salinas, no Norte de Minas, ele diz que se sente montes-clarense de coração. “É aqui que escolhi fincar minhas raízes, que escolhi criar a nossa família e, com fé, vamos seguir lutando, priorizando o bem coletivo”, diz.

Formado há sete anos, pela Universidade Vale do Rio Verde (Unincor), em Belo Horizonte, o dr. Alisson conta que logo iniciou várias especializações, como pós-graduação em urgência e emergência, terapia intensiva e pós-graduação em ultrassonografia e saúde da família. 

Para o médico, a saúde vive seu maior drama com a pandemia pelo novo coronavírus, em uma experiência diária de desafios. Além do Hospital das Clínicas, ele atende na cidade de Capitão Enéas, também no Norte de Minas.

“Para driblar a exaustão, conto com a boa alimentação e a prática de exercícios físicos. Com isso, tenho um bom condicionamento físico para suportar a jornada intensa dos plantões, com a delicadeza que a pandemia representa”, explica. 

Com o aumento dos casos, as demandas de atendimento estão bem intensas. “Estou buscando atentar-me às medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde, associadas à minha experiência e aliadas ao conhecimento da prática para dar o suporte necessário e mais adequado aos meus pacientes, mesmo chegando ao esgotamento físico e mental”, conta.

Diante de tantas situações adversas que os profissionais da saúde têm vivido diariamente, dr. Alisson sempre coloca em prática o juramento como profissional, buscando sempre salvar vidas e aliviar o sofrimento de cada paciente. Apesar de cada um evoluir com quadro clínico diferente, ele afirma que o olhar e o pedido de socorro são sempre os mesmos.

“Sob as minhas mãos, Deus traz esperança para amenizar o sofrimento dos familiares. É preciso sempre ter em mente que todo paciente é o amor da vida de alguém e, com isso, dar o melhor, sabendo da importância como profissional para que o quadro do paciente permaneça estável e não evolua para um agravamento”, diz.
 
ROTINA EXTENUANTE
O médico conta que chega a passar 624 horas de plantão no mês. Mas, mesmo diante de uma jornada exaustiva, trata cada paciente com total atenção e dedicação, dando sempre o tratamento humanizado. “Diante desta situação, vivencio a luta dos profissionais da saúde diariamente para amenizar a propagação do vírus de uma forma muito eficiente”, conta.

Sobre os muitos momentos marcantes durante essa fase, o que mais o tocou foi o fato de ter perdido uma colega de trabalho, vítima da Covid. “Por outro lado, sou grato a Deus por ter protegido a mim e a minha família durante todo esse tempo, e assim, ofereço uma prece, para que essa proteção se estenda ao número máximo de famílias”.

E na expectativa de que a pandemia chegue ao fim, dr. Alisson acredita que a imunização em massa será capaz de conter o grande número de contágios e minimizar os sintomas das variantes.