Leptospirose, hepatites e tétano estão na lista de risco pós-inundações

Larissa Durães
O NORTE
25/01/2022 às 00:37.
Atualizado em 26/01/2022 às 00:13
 (ascom prefeitura de salinas/divulgação)

(ascom prefeitura de salinas/divulgação)

Depois de tanta chuva e prejuízos no Norte de Minas, há mais um problema com o qual os moradores e autoridades da saúde precisam se preocupar: as doenças de veiculação hídrica. São aquelas causadas por águas contaminadas, muito comuns após enchentes e inundações, pois a água de rios e córregos se misturam com esgoto e outros dejetos.

A transmissão pode ser pelo simples contato com a água ou pela ingestão. Dentre as principais doenças estão a leptospirose, hepatite A, hepatite E, doenças diarreicas e, em menor grau, febre tifoide, cólera e tétano.

A leptospirose, por exemplo, é conhecida como a “doença da enchente”. A contaminação ocorre pela bactéria leptospira, presente na urina de ratos e outros animais. É transmitida ao homem principalmente nas inundações. Bovinos, suínos e cães também podem adoecer e transmitir a leptospirose ao homem.

Para o doutor em infectologia João dos Reis Canela, é comum, depois de qualquer extravasamento de água de modo geral, como nas enchentes, derramamento de esgoto com sedimentação desses resíduos, o que facilita a propagação das doenças de veiculação hídrica.

“Uma que devemos ter muita atenção é a leptospirose, pois é muito preocupante”, alerta o médico. Ele explica que para ela se manifestar, é preciso ter contato direto das pessoas com um local infectado, como pisar em águas contaminadas.

“A leptospira penetra através de ranhuras na pele e lesão nos pés, por exemplo”, diz João Canela. Os sintomas são febre, mal-estar e, secundariamente, a presença de amarelão nos olhos, escurecimento da urina.

Ele orienta as pessoas a evitarem, principalmente as crianças, contato com estas águas naturalmente contaminadas. E alerta: a leptospirose pode matar. “Se não cuidada, o número de óbito é alto, porque ela é uma doença que cursa com o comprometimento do fígado, de função renal e isso é uma doença potencialmente grave. Por esta razão, deve ser precocemente diagnosticada”, adverte.

Vacina como prevenção
Em situações de inundações de grandes proporções, como Minas e a região Norte têm vivido nas últimas semanas, é indicado disponibilizar vacinas para moradores que tiveram contato com as águas de enchente. 

Em Montes Claros, não está prevista uma campanha específica para isso. Mas, de acordo com a coordenadora de Vigilância Epidemioló-gica e Imunização de Montes Claros, Aline Lara, as vacinas do calendário adulto se encontram disponíveis nas salas de vacina do município, caso alguém precise.

Uma das cidades mais atingidas pelas enchentes no Norte de Minas, Salinas solicitou ao governo do Estado um quantitativo de vacinas contra a hepatite A e outras doenças.

“Serão pouco mais de 5 mil doses e o foco serão as pessoas atingidas pela enchente”, informa a assessoria de comunicação da prefeitura.

Além das doenças bacterianas, há as virais, como dengue, chikungunya e Zika. “São transmitidas através do mosquito, que tem propensão a eclodir nessas épocas onde há resíduos de água acumulada”.

São doenças, segundo o médico, bem reconhecidas pelo aparecimento de mal-estar geral, alterações do aparelho digestivo, febre, dor de cabeça e olhos amarelados.

Para evitar a ingestão de águas contaminas, o infectologista João Canela indica que se deve utilizar água naturalmente filtrada. “Se não tem o filtro, a pessoa deve ferver e arejar posteriormente. Se possível, mesmo depois disto, se conseguir filtrar para ter segurança na ingestão dessa água”, ensina.

O médico ressalta que, felizmente, essas doenças estão diminuindo muito devido aos cuidados sanitários que as prefeituras e secretarias estão realizando.


 

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