Mãe de uma menina de 7 anos, em dois a administradora Maria Fernanda Sapori viu a vida mudar radicalmente. Logo no primeiro mês da gestação do segundo filho ela descobriu que havia sido infectada pelo mosquito Aedes Aegypti. E soube que o diagnóstico deixaria sequelas no bebê.

“Naquele momento meu mundo desabou. Tive o Zika vírus entre a 4ª e a 5ª semanas de gestação. E estava usando o repelente. Com 22 semanas o ultrassom começou a apresentar algumas alterações. Meu filho nasceu com hidrocefalia, que causa, entre outras coisas, atraso na área motora e cognitiva”, relata.

Para se dedicar aos cuidados que o filho precisaria, Maria Fernanda decidi vender a farmácia que tinha. Era necessário ser mãe em tempo integral. Ao se deparar com as barreiras, o preconceito e limitações econômicas impostas a muitas mães, decidiu agir. Criou um grupo de discussão e apoio nas redes sociais e, junto com outras 20 mães, busca agora apoio do poder público legalizar a Amami, Associação Mães da Microcefalia, que tem o objetivo de acolher e direcionar mães e filhos ao tratamento com terapias essenciais não ofertadas pelo SUS. Parcerias Público-Privadas também são muito bem-vindas.

“Infelizmente, o que o SUS nos oferece não é específico para crianças com má-formação em decorrência do Zika Vírus. A gente chegava ao PSF e não tinha tratamento nem infraestrutura para atender nossas crianças. Isso gera um cansaço emocional e físico muito grande e muitas abandonam o tratamento ou procuram tratamentos mais baratos na rede privada”, pontua.

A partir da Associação ela pretende estabelecer parcerias com profissionais e criar uma equipe multidisciplinar com terapia especializada e maturação psicológica para dar qualidade de vida às vítimas da microcefalia e aos familiares. A exemplo do que viu na Paraíba, onde existe projeto semelhante de muito sucesso, Maria Fernanda pretende lutar para tornar Montes Claros um polo de referência na região.

“Algumas mães foram para lá e a qualidade de tratamento é diferente da que é oferecida aqui. Porém, é difícil permanecer na cidade por três meses e este tempo é pouco em relação à nossa necessidade. O tratamento tem que ser contínuo e nós lutamos por um polo no Norte de Minas para, futuramente, abraçar as regiões mais próximas. Acreditamos que o primeiro passo é legalizar a Associação e cadastrar mais famílias”, aposta.
 
PONTAPÉ
O primeiro passo foi dado ontem. Maria Fernanda esteve na Câmara Municipal e encontrou apoio no vereador Valdecy Contador, que está auxiliando na burocrática necessária para que o projeto se torne realidade.

“Estamos constituindo a associação para tornar possível a ajuda do poder público por meio de emendas parlamentares. O município então poderá investir e dar a sua contribuição naquilo que é um direito dessas mães. A Amami é de suma importância”, diz o vereador, que denuncia a violação de direitos ocorrida com algumas mães que procuraram a MCTrans para obter a gratuidade no transporte coletivo.

“Já estou entrando com um pedido diretamente ao prefeito para corrigir essa situação. Muitas mães têm buscado a gratuidade e têm o pedido negado, sem nem mesmo ter passado pela perícia. Não há justificativa”.

A MCtrans informou que para usufruir do benefício o responsável tem que passar por uma perícia no órgão e que o perito responsável está no local às 11h, mas sem dia específico para fazer o atendimento, que é de acordo com a demanda. O responsável pelo setor não soube quantificar o número de atendimentos semanais ou mensais e o tempo para ser concluído o procedimento.