Cientistas da UFMG criaram uma fita adesiva capaz de proteger superfícies contra o novo coronavírus por até 28 dias. O trabalho foi feito em parceria com uma indústria têxtil de Jundiaí, em São Paulo.

A expectativa é a de que o material possa chegar ao consumidor em breve, pois já está sendo produzido para venda no atacado. O produto elimina vírus e bactérias que entram em contato com ele.

Chamada de Nanoativ, a substância foi desenvolvida por pesquisadores dos Departamentos de Química e Odontologia em 2017 e, agora, adaptada para o uso na fita antiviral. O composto dispensa solventes ou álcool. Dentre as vantagens da tecnologia está a não volatilidade, o que prolonga a utilização. 

Os trabalhos levaram apenas oito meses entre o desenvolvimento do produto, a aprovação e o depósito da patente. Após a parceria firmada entre a UFMG e a empresa Ehrena – criada por uma empresária da cidade paulista –, testes laboratoriais foram feitos na Unicamp. Em seguida, o projeto foi levado para o aeroporto de Viracopos, em Campinas.

Lá, novos testes foram feitos em uma área de 300 metros quadrados em diferentes ambientes. A fita adesiva, visível, foi afixada em áreas com grande movimentação de pessoas, sujeitas a toques frequentes de mãos, como balcões de atendimento, maçanetas de portas e corrimãos de escadas.

Entre novembro e dezembro de 2020, foram realizadas análises microbiológicas semanais, a cargo dos laboratórios da UFMG, que comprovaram a eficácia da tecnologia. “Os testes demonstraram a capacidade antiviral e também antibacteriana da fita, que preservou o ambiente livre de vírus, como o novo coronavírus, e de diferentes bactérias por até 28 dias”, informa Rubén Sinisterra.

Ainda segundo o professor, a fita antiviral já está sendo produzida em grande escala graças à parceria com a iniciativa privada. 

Estudos já estão sendo feitos para a venda no varejo, adiantou o professor. Além disso, a UFMG e a Ehrena avaliam novas aplicações para a tecnologia por meio de testes com cosméticos, produtos hospitalares e veterinários.

“A tecnologia foi nascida e criada a partir do acúmulo de conhecimento de universidades públicas, e estará à disposição para cumprir uma necessidade da sociedade brasileira”, diz Sinisterra.

* Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca