O Norte de Minas tem 388 pessoas aguardando por um doador de órgão. A maioria esmagadora – 93% – precisa de um rim. E a espera é longa e difícil. No primeiro semestre deste ano, foram realizados 16 transplantes deste órgão na Santa Casa de Montes Claros, única credenciada para o procedimento. Neste ritmo, a fila só finalizaria – caso ninguém mais entre –, em 11 anos. Uma estimativa que angustia quem precisa do órgão para sobreviver e ter mais qualidade de vida.

Nos seis primeiros meses deste ano, a Santa Casa fez 28 transplantes – 16 de rim, dez de fígados e dois de córneas. De acordo com dados da Organizações de Procura de Órgãos (OPO), a lista de espera por um transplante de órgão ou córnea tem atualmente 33.934 cadastros em todo o país.

Especialistas ressaltam que não avisar a família que é um doador e a falta de estrutura dos hospitais para identificar possíveis doadores são fatores preponderantes para o baixo número de transplantes no país. 

“Vários fatores interferem no baixo número de doadores, por isso seguimos com trabalho focado na conscientização”, disse a endocrinologista Lorena Rebello Cecília Carvalho, representante da Organizações de Procura de Órgãos em Montes Claros.

O pequeno empresário Paulo Silva, de 52 anos, aguarda há três anos por uma nova doação de rim. Ele já passou por um transplante, mas teve rejeição cinco anos depois. As várias complicações renais ao logo dos anos o deixaram debilitado. 

“Não é fácil depender da hemodiálise e não ser livre para fazer o que gosta. Sempre trabalhei bastante, mas hoje não posso mais”, lamentou o ex-padeiro.
 
SETEMBRO VERDE
A campanha Setembro Verde tem o objetivo de chamar a atenção da população para a importância da doação de órgãos.

Hoje é comemorado o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos e a campanha quer lembrar as pessoas que para se tornar doador de órgãos, basta falar. A doação só ocorre com autorização dos parentes mais próximos.

Por isso, o Setembro Verde ressalta a importância de as pessoas conversarem com os familiares e expressarem o desejo de se tornarem doadores após a morte.

Medula ameniza sofrimento
Encontrar um doador de medula compatível – aliás, dois – foi a grande alegria para a pequena Maju (Maria Julia), de um ano e nove meses, e a mãe dela, Junia Cristina Fernandes. Natural de Várzea da Palma, no Norte de Minas, Maju foi a primeira bebê no Brasil a tratar a epidermólise bolhosa com transplante de medula óssea.

A rara doença, até então sem cura, é causada por um defeito genético da fixação da camada da epiderme na derme, deixando pele e mucosas frágeis, que formam bolhas com qualquer trauma leve, causando graves feridas.

O procedimento aconteceu em 27 de junho no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Nas rede sociais, a mãe da menina comemora diariamente o sucesso do transplante. Maju teve melhora significativa e hoje utiliza apenas um quarto dos curativos usados antes da cirurgia e os banhos, que duravam cinco horas, são tomados em 45 minutos.

“Graças a Deus, Maria está sem infecção e adorando ficar em casa e passear pela rua. Ainda somos restritas a muitas coisas. Não podemos ir a lugares distantes ou muito movimentados, mas passeamos por aqui”, disse Junia, que explicou que ainda precisa ficar em São Paulo para o acompanhamento rotineiro no hospital.

Junia conta que Maju encontrou mais de um doador de medula, mesmo sendo um processo difícil. De acordo com o Hemominas, a chance de encontrar um doador com medula compatível entre não parentes é de 1 em 100 mil, devido à miscigenação do povo brasileiro.

Questionada sobre a importância de existir doadores, Junia pediu para que as pessoas se coloquem no lugar do outro. “Quem doa é tão abençoado quanto quem recebe. É uma bênção ser saudável e poder ajudar alguém. Todo mundo deveria ser um pouco anjo na vida de alguém, seja doando sangue, medula, amor, tempo”.

SAIBA MAIS
Atualização de dados

Doadores de medula óssea cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) estão sendo convocados pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) para atualizar o cadastro. De acordo com a instituição, as pessoas mudam de endereço, de telefone e geralmente não lembram de atualizar os dados no Redome.

A campanha pela atualização das informações no Redome vale para doadores de todo o Brasil. A atualização dos dados permite que o doador seja localizado com maior agilidade em caso de compatibilidade com algum paciente.

Criado em 1993, o Redome é, atualmente, o terceiro maior registro do mundo, com mais de 4 milhões de doadores cadastrados, ficando atrás somente dos Estados Unidos e Alemanha.
(Com Agência Brasil)