O sistema de saúde pública em Minas pode viver um colapso nesta quinta-feira (25), com o esgotamento da capacidade de leitos de UTI, um mês antes do pico previsto pelo Estado. A projeção é do Centro de Operações de Emergência em Saúde (Coes) e está presente no mais recente relatório de transparência do Minas Consciente, programa de flexibilização controlada do Estado, divulgado na última quinta-feira (18). O Coes foi criado para monitoramento e estudo dos casos, tomada de decisões e organização das ações de enfrentamento à Covid, e é coordenado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).
 
No documento, o Coes informa que houve piora nos indicadores, tanto de incidência quanto de ocupação de leitos, em todas as 14 macrorregiões de saúde de Minas. Segundo o órgão, mesmo em locais que mantiveram o número de casos, como a macrorregião de saúde Sul, há tendência de aumento de notificações, com destaque para a região Centro, onde estão BH e cidades vizinhas.
 
“O Coes indicou que neste momento o mais adequado seria um retrocesso de todo o Estado para a Onda Verde (nível em que apenas comércios essenciais podem abrir), principalmente tendo em vista o caminho em direção a um possível colapso do sistema assistencial e ainda a antecipação do pico em mais um dia”, informou a projeção.
 
MOMENTO CRÍTICO
Conforme dados da SES, nesta segunda-feira (22), 87,75% dos leitos de UTI estão ocupados no Estado: do total de 2.964 vagas, 2.930 estão em uso. Já a ocupação dos leitos clínicos está em 74,69%: das 12.928 vagas, 12.230 estão ocupadas. Em Belo Horizonte, a taxa de ocupação de UTIs está em 85% e em 68% nas enfermarias.
 
Para o promotor de Justiça Luciano Moreira, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde (CAOSaúde), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), órgão que acompanha o avanço dos casos e as medidas de contenção adotadas pelos municípios e Estado, os dados mostram que o momento atual é o mais crítico no combate à pandemia em Minas. 
 
Os motivos, segundo ele, estão no crescimento no número de infectados, juntamente com a falta de insumos para a intubação de pacientes justamente em momento de aproximação do pico da pandemia, previsto para 15 de julho, segundo a SES. 
 
“É fundamental que o poder público, o setor econômico e a sociedade em geral estejam unidos em favor de um bem maior, que é a vida das pessoas. Se o número de casos continuar crescendo na proporção que está, todo o esforço de distanciamento social e sacrifícios feitos até agora terão sido em vão”, declarou o promotor.
 
CAMPANHA
Apesar da situação crítica, o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, disse ontem que ainda não há previsão de abertura dos hospitais de campanha de Belo Horizonte e de Betim.
 
O gestor reforçou que os centros médicos não são para alta complexidade e que o Estado trabalha para equipar os hospitais do interior, para que as macrorregiões sejam capazes de atender os pacientes.