Doença silenciosa, mas extremamente grave. Sem sintomas na fase inicial, o glaucoma é uma das principais causas de cegueira no mundo. Por isso, os médicos alertam: a falta de informação é o principal desafio para evitar o dano irreversível. Na busca por ampliar a conscientização da população, acontece amanhã o dia nacional de combate à enfermidade. 

Ao longo desse mês, campanhas têm sido organizadas pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), com apoio de unidades de saúde, como o Hospital de Olhos Hilton Rocha, em Belo Horizonte.

Dentre as ações desenvolvidas, a busca pelo diagnóstico precoce se destaca. “Se as pessoas não sabem a real necessidade de fazer o exame, só vão descobrir que estão com a doença em fase avançada”, afirma a oftalmologista do Hilton Rocha, Daniela Faria.

Todos devem fazer consultas periódicas, mas há grupos de risco que precisam de atenção redobrada. Na lista, homens, negros e quem tem histórico da doença na família, além de miopia e lesões oculares. “A bateria de exames deve ocorrer pelo menos uma vez ao ano”, reforça a diretora do Hospital de Olhos, Ariadna Muniz. 
 
QUEDA
O medo da Covid-19, porém, afastou milhares de pessoas dos consultórios. Levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostra que, na pandemia, o número de exames para diagnosticar o glaucoma caiu 30%. O impacto também foi observado na realização de cirurgias para reverter e tratar a doença: pelo menos 6.700 deixaram de ser realizadas em 2020, aponta a pesquisa. 

Para se ter uma ideia dessa redução, foram 5,9 milhões de exames na rede de saúde pública em 2019. Durante a pandemia, 1,5 milhão deixaram de ser feitos somente no Sistema Único de Saúde. Por isso, os médicos reforçam que mesmo nesse atual momento de combate ao coronavírus, as consultas não devem ser ignoradas. 

Após o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Só assim é possível garantir melhor qualidade de vida ao paciente. Os procedimentos variam do uso de colírios e lasers a cirurgias, nos casos mais graves.  

*Especial para o HD
**Com Agência Brasil