O cigarro é responsável por desencadear doenças cardiovasculares, cânceres e doenças respiratórias crônicas. Com o surgimento da Covid-19, o hábito de fumar também se tornou mais um fator de risco para quem se contamina com o Sars-CoV-2. Isso porque o tabaco causa diferentes tipos de inflamação no organismo, prejudicando os mecanismos de defesa. Assim, fumantes têm maior risco de infecções por bactérias, fungos e vírus, como o coronavírus. 

O tabagismo também está relacionado ao contágio pelo coronavírus. Ao retirar a máscara para fumar, levar a mão à boca ou compartilhar cigarros e piteiras, há risco de transmissão e contaminação pelo vírus.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, anualmente, o tabagismo mata 162 mil pessoas e custa R$ 125 bilhões aos cofres públicos para cobrir despesas diretas e indiretas com doenças causadas pelo cigarro. Isso equivale a 23% do que o país gastou, em 2020, com o enfrentamento à Covid-19. 

Este domingo (29) marca o Dia Nacional de Combate ao Fumo, data que tem o objetivo de reforçar as ações de sensibilização e mobilização da população para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco.

Para falar sobre o assunto, O NORTE conversou com o médico de Saúde da Família Mariano Fagundes Neto, que ressalta que há tratamento gratuito na cidade para quem quer largar o cigarro.
 
Qual o foco da campanha deste ano?
A campanha desse ano tem uma frase muito impactante: ‘Comprometa-se a parar de fumar’. Sabemos que a Covid-19 estimulou muito o cuidado com a saúde. Muitas pessoas ficaram em casa e refletiram sobre a saúde, inclusive sobre o tabagismo. A qualidade de vida melhora muito ao parar de fumar, assim como a capacidade pulmonar, deixando a pessoa menos vulnerável à Covid-19.
 
Qual o número da população fumante no Brasil?
Os últimos dados em relação à prevalência de tabagismo no Brasil mostram que 9,8% da população é fumante. Esse dado inicialmente nos preocupa, mas é um grande avanço em relação a 1990, quando tínhamos 30% da população fumante no Brasil. Inclusive, o país recebeu um prêmio na ONU de ‘país amigo do combate do tabagismo’. 
 
Quais as orientações para quem deseja parar de fumar?
O primeiro passo para quem deseja parar de fumar é entender as suas limitações e dificuldades e procurar ajuda. Entendendo que o tabagismo nos deixa vulnerável e nos traz doenças – acredita-se que mais de 50 doenças estão associadas diretamente ao tabagismo –, essa balança decisória entre fumar e não fumar pode ser muito bem corrigida com o suporte de uma equipe multidisciplinar. Em Montes Claros é a equipe de atenção primária.


Quais os benefícios quando se para de fumar?
Se fôssemos fazer uma avaliação cronológica, após os 20 minutos depois de fumar a pulsação volta ao normal, duas horas depois a nicotina já sai do sangue, 8 horas depois o oxigênio já normaliza no sangue e em um dia os pulmões já funcionam melhor. Dias depois que você para de fumar o olfato e o paladar melhoram. Em três semanas a respiração fica mais fácil, melhora. Em um ano de cessação, que é uma grande vitória, o risco de infarto reduz pela metade. Em dez anos, o risco de sofrer infarto é igual ao da pessoa que nunca fumou. 
 
Quais os danos provocados pelo cigarro? 
O tabaco influencia na nossa aparência, envelhece, coloca em risco a saúde dos amigos e dos nossos familiares. Fumar cigarro eletrônico perto das crianças compromete a segurança e saúde delas. As consequências sociais negativas é que você fica em um ambiente social não bem aceito. É caro. Nesse momento de crise, gastar com cigarro não é uma boa. Diminui fertilidade, aumenta o risco de má formação fetal. Além de destruir o coração, o tabaco causa mais de 20 tipos de câncer. O paciente que fuma tem probabilidade de perder a visão e audição. Compromete praticamente todos os órgãos do corpo, da cabeça aos pés, além de poluir o ambiente.
 
Existem programas gratuitos para quem deseja largar o fumo?
Existem vários programas de suporte aos cuidados com o tabagismo. Montes Claros é privilegiado com uma equipe multidisciplinar, todas as equipes foram treinadas, capacitadas, e estão prontas e aptas a fazer o tratamento do tabagismo. Quando eu falo tratamento, estou afirmando que o tabagismo é uma doença e hoje é considerado uma doença crônica. As equipes de atenção de saúde primária próximas à casa de cada um de vocês estão capacitadas para oferecer um suporte psicológico e um suporte medicamentoso. Há medicamentos eficazes, com adesivo de nicotina, e medicações orais que podem fazer com que a pessoa consiga parar de fumar. A primeira coisa que a pessoa tem que ter é a vontade de parar. É o querer parar. Esse é o primeiro passo. Posteriormente, as outras etapas serão apoiadas pela equipe de saúde.

O tabagismo nos deixa vulnerável e nos traz doenças – acredita-se que mais de 50 doenças estão associadas diretamente ao tabagismo –, essa balança decisória entre fumar e não fumar pode ser muito bem corrigida com o suporte de uma equipe multidisciplinar, 

Mariano Fagundes Neto, médico da Saúde da Família