Você tem o costume de olhar com mais atenção para manchas e feridas na pele? Aquelas que coçam, sangram e até são difíceis de cicatrizar? Se não tem esse hábito, saiba que, de acordo com especialistas, ele pode salvar vidas.

Essa análise minuciosa ajuda a identificar sinais que indicam um possível câncer de pele, explica o oncologista Octávio de Castro Menezes Cândido, do Hospital Felício Rocho. Conscientizar a população sobre os cuidados que ajudam a prevenir a doença é, inclusive, o mote da comunidade médica neste Dezembro Laranja.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a enfermidade corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados entre os brasileiros. Estima-se que 65% dos casos são provocados pela radiação ultravioleta, especialmente por conta da exposição ao sol.

Segundo Octávio de Castro, a doença é grave. “Alguns desses sintomas (manchas e feridas que coçam e sangram) podem indicar o câncer de pele não melanoma, que ocorre principalmente nas áreas do corpo como rosto, pescoço e orelhas”, diz.

As pintas no corpo que crescem, mudam de formato e apresentam áreas de tons diferentes ou evoluem para feridas ulceradas também são sinais de alerta, afirma o oncologista. “Esse autoexame é o principal aliado para a cura, uma vez que permite identificar um câncer de pele em fase inicial, quando ele é altamente passível de ser curado”, frisou.

De acordo com especialistas, as chances de cura giram em torno de 90% quando o tumor é detectado precocemente. 
 
PREVENÇÃO 
Mas melhor do que diagnosticar no estágio inicial é prevenir a doença. Dermatologista da Santa Casa BH, Gláucia Vianna afirma que a exposição solar em excesso é a principal causa da doença. “Os cuidados precisam começar nos primeiros anos de vida. A exposição solar na infância pode influenciar na saúde do envelhecimento da pele e no surgimento do câncer na fase adulta”, reforça.

Protetor solar e uso de bonés e chapéus ajudam a reduzir os riscos de desenvolvimento da doença. Às medidas de prevenção, ainda segundo especialistas, soma-se evitar tomar sol de 10h às 16h.

Os cuidados devem ser tomados em qualquer época, não apenas no verão que se aproxima, afirma Ramon Andrade de Mello, professor de Oncologia Clínica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Vivemos em um país tropical com forte incidência solar durante todo o ano”, explicou.

SAIBA MAIS
Apesar de ser mais curável, o câncer de pele ainda é bastante negligenciado em comparação aos outros tipos de tumores. É o que afirma a dermatologista Simone Stringhini, idealizadora do Instituto Lilás, que é focado na disseminação de pesquisas na área da dermatologia oncológica, incluindo a estética.

“As pessoas não tomam as devidas providências e isso é perigoso, pois o câncer de pele, muitas vezes, é uma doença silenciosa e que pode evoluir rapidamente sem o devido tratamento e acompanhamento”, ressalta a médica, que é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Dentre os vários tipos de tumores de pele, três são os mais recorrentes. O basocelular e o espinocelular são os mais comuns e menos graves. Eles se iniciam na camada externa da pele e, normalmente, causados por excesso na exposição solar. O terceiro é o melanoma, que traz maiores riscos à saúde porque a chance de atingir outros órgãos é grande.

A dermatologista alerta para a necessidade de fazer o check-up periódico. “É tão importante, para podermos trabalhar na prevenção e sermos mais assertivos, diminuindo os riscos de doenças”, frisa.