Subiu para 69 o número de municípios do Norte de Minas com alta ou muito alta incidência de dengue. Na primeira semana deste mês, eram 59. Com isso, oito em cada dez cidades da região já têm na doença um dos principais problemas de saúde pública. No Estado, a terceira maior epidemia dos últimos dez anos soma 289.500 casos prováveis (confirmados e suspeitos).

Em menos de 15 dias, entraram para a lista de municípios em situação alarmante Botumirim, Cristália, Grão Mogol, Icaraí de Minas, Juvenília, Manga, Olhos-d’Água, Pai Pedro, Pedras de Maria da Cruz e Santa Cruz de Salinas.

Montes Claros, que já estava na relação, tem o maior número de registros de vítimas do mosquito Aedes aegypti no Norte de Minas: 2.577 desde o início do ano. Três óbitos estão em investigação. Também há alta incidência da doença em Várzea da Palma, com 1.369 casos; Bocaiuva, 1.100; Januária, 945; São Francisco, 786; Pirapora, 780; Brasília de Minas, 690; Janaúba, 607; Mirabela, 580.

Dos 86 municípios do Norte de Minas, apenas 17 não estão com incidência alta ou muito alta de dengue, mostra balanço divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).  
 
TERRITÓRIO MINEIRO
Em 24 de abril, o governo de Minas declarou situação de emergência em saúde pública nos municípios de abrangência das Macrorregiões de Saúde Centro, Noroeste, Norte, Oeste, Triângulo do Norte e Triângulo do Sul do Estado.

Em território mineiro, já foram confirmadas 49 mortes por dengue este ano. Uberlândia, no Triângulo, lidera o ranking, com nove óbitos. Em segundo lugar vem Betim, com dez, e Belo Horizonte, com seis. Outras 97 mortes estão em investigação.
 
COMBATE
A SES segue realizando encontros com as secretarias municipais das cidades do Norte de Minas. Na segunda-feira passada, a reunião aconteceu em Montes Claros. Até a próxima sexta, os polos de saúde de Salinas, Taiobeiras, Monte Azul e Janaúba também serão visitados.

De acordo com o coordenador de vigilância em saúde da SES-MG em Montes Claros, Valdemar Rodrigues dos Anjos, os encontros iniciados no mês passado na cidade e em Bocaiuva visam articular ações entre os municípios que apresentam alta ou muito alta transmissão de doenças causadas pelo Aedes aegypti. “O apoio necessário para que as ações de controle do mosquito sejam intensificadas e, com isso, se evite a ocorrência de epidemias”.

Neste ano, 11 cidades da área de atuação da Regional de Saúde de Montes Claros, além da própria cidade, já receberam apoio no combate ao mosquito com utilização de Ultra Baixo Volume (UBV) veicular, mais conhecido como “fumacê”.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Montes Claros, Mara Dayse Alves Ribeiro, desde o início deste ano agentes comunitários de endemias e de saúde visitaram mais de 95,4 mil imóveis e mais de 12 mil focos de proliferação do Aedes aegypti foram eliminados. Além disso, 120 toneladas de lixo e materiais inservíveis foram recolhidos pela prefeitura, entre eles 32 mil pneus.

Mesmo assim, O NORTE mostrou em edições passadas que diversos bairros da cidades têm lixões a céu aberto e moradores chegam a pagar para limpar o terreno dos vizinhos.