Estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com duas instituições internacionais, indica que as crianças com Covid-19 são mais frequentemente infectadas pelos adultos do que atuam como transmissoras da doença. 

A pesquisa foi realizada em uma comunidade do Rio de Janeiro, entre maio e setembro do ano passado. Os resultados preliminares, no entanto, só vieram ontem, mesmo dia em que Minas confirmou mais duas mortes de bebês por complicações provocadas pelo coronavírus.

Ao todo, 27 menores de 1 ano já perderam a vida após contrair a enfermidades no Estado.

O trabalho da Fiocruz envolveu 667 participantes em 259 domicílios. Conforme uma prévia do artigo, eram 323 crianças, 54 adolescentes e 290 adultos. 

Testes PCR e de sorologia detectaram que 45 menores de 14 anos foram infectados pelo coronavírus, sendo que 26 tiveram contato com um adulto também positivo e 19 com sintomáticos que não consentiram em fazer o exame. 

A pesquisa observou, também, uma proporção maior de bebês com menos de 1 ano infectados em comparação com outras idades.

A hipótese dos pesquisadores era de que, se a transmissão ocorre principalmente de adultos e adolescentes para crianças, eles teriam um pico de prevalência de anticorpos primeiro em relação aos outros, o que foi confirmado na análise.

Segundo os cientistas, as crianças incluídas nos testes não seriam a fonte da infecção e foram contaminadas por adultos mais frequentemente.

“Em cenários como o estudado, escolas e creches poderiam potencialmente reabrir se medidas de segurança contra a Covid-19 fossem tomadas e os profissionais adequadamente imunizados”, diz o texto.

Os autores destacam, no entanto, que os resultados não consideram as novas variantes da Covid que circulam no país. Eles ponderam que, como os testes foram realizados em um período em que as escolas estavam fechadas, os adultos podem ter tido um papel propagador mais importante, pois continuaram expostos ao vírus ao sair para trabalhar.

* Com Agência Brasil e Fiocruz