Não bastasse o agravamento da desigualdade social causada pela pandemia, a campanha de imunização contra a Covid vem sendo marcada por um desequilíbrio da cobertura vacinal entre as cidades. Em Minas, 317 municípios ainda não atingiram 80% do público-alvo com o esquema completo. O percentual é fundamental para a imunidade de rebanho. 

De acordo com estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e aspectos ligados à renda e localização geográfica explicam a disparidade.

Desta forma, locais com baixo índice de desenvolvimento têm cobertura vacinal pior. 

“Em relação à terceira dose, o grupo de municípios com IDH muito alto apresenta cerca de 10% da população imunizada, enquanto os de IDH baixo é de 2,5%”, afirma a nota técnica do painel MonitoraCovid-19. 

No território mineiro, quase 40% dos 853 municípios ainda não atingiram o cenário de 80% dos moradores com a proteção completa. Até o último dia 9, mais de 2,4 milhões de pessoas estavam sem registro de segunda dose, segundo dados do Ministério da Saúde.

Para Unaí Tupinambás, membro do Comitê de Enfrentamento à Covid de Belo Horizonte, a situação já era esperada. “Temos que pegar essas cidades, mapear e avançar na vacinação. Ver o que está faltando e propiciar recursos”, afirma.
 
REGIÃO
No Norte de Minas, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) não possui um balanço que mostre quantos municípios ainda não atingiram 80% de imunização com as duas doses.

Uma dessas cidades é Pirapora. Até o momento, a cidade conseguiu vacinar 77,6% das pessoas com a primeira dose e apenas 68,1% com a segunda. O secretário de Saúde, Rafael Lana, diz que a dificuldade é de adesão à dose de reforço, daí a necessidade de divulgação e chamamento da população.

“Estamos fazendo a conscientização da população porta a porta, por meio dos agentes comunitários de saúde, divulgação em rádio, rua e campanha força-tarefa aos sábados. Fizemos uma ação com os estudantes das escolas particulares, municipais e estaduais na última semana em parceria com o Instituto Federal”, explica o secretário.

“Nesse momento, estamos com situação bem diferente do início da campanha. Antes, a população buscava pela vacina. Agora, temos vacinas disponíveis e a população não tem buscado as unidades”, lamenta Agna Menezes, coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica da SRS.

Perda de vacinas preocupa
A baixa procura pela segunda dose traz outro problema, além de dificultar atingir o índice de proteção ideal contra a Covid-19: a perda de vacinas. “A Pfizer, depois de descongelada, tem um período de validade de apenas 30 dias. Então, estamos fazendo esse controle, esse levantamento de necessidade dos municípios, e as vacinas são encaminhadas de acordo com a necessidade e de acordo com o que eles têm dado conta de utilizar para evitar perdas”, diz Agna Menezes.

Conforme a SES, uma série de ações para aumentar a cobertura vacinal da população tem sido feita, como orientar as prefeituras a realizar busca ativa. Além disso, recomenda a realização de estratégias de vacinação em universidades e escolas, extensão do horário de funcionamento das salas de aplicação e reforço das estratégias de comunicação.