Um a cada cinco pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), em Minas Gerais, não resiste. Neste ano, até 12 de setembro, 11.176 pessoas morreram por complicações da doença, conforme informações publicadas no Boletim de Dados Complementares, divulgados quinzenalmente pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Dessas, 6,2 mil (55%) notificações estão relacionadas à Covid-19.

Até a data, 60.670 mineiros desenvolveram SRAG no território. Em todo 2019 foram 4.033. No total, 578 vieram a óbito. 

Já em Belo Horizonte, até a última terça-feira, foram notificados 14.545 casos da síndrome. São 2.109 mortes, sendo metade delas (1.136) pelo novo coronavírus.

Apesar de a condição ter ficado mais evidente neste ano com a pandemia, especialistas alertam que ela sempre existiu e é grave. A taxa de mortalidade pode chegar a 40% entre os pacientes que são internados.

A síndrome é caracterizada por uma sensação de falta de ar e incapacidade dos pulmões de manterem normal a troca gasosa no organismo. “Permitindo a passagem do oxigênio inspirado para o sangue e permitindo a passagem do gás carbônico do sangue para o ar que será exalado”, explica o médico intensivista José Carlos Versiani, do Hospital Madre Teresa.

O especialista diz que a condição acontece por uma série de mecanismos, entre eles causas infecciosas, que podem ser por vírus ou bactérias, ou não infecciosas. Pode ser desenvolvida, por exemplo, a partir de uma gripe, pneumonia ou sepse (infecção generalizada).

“Diversas doenças podem evoluir com quadro de SRAG, desde uma asma, bronquite, passando por uma pneumonia, tuberculose, intoxicação exógena, edema agudo de pulmão, câncer”, complementou a Secretaria de Estado de Saúde (SES) em nota. 
 
SOCORRO RÁPIDO 
Grande parte dos casos, inclusive, precisa ser tratado na terapia intensiva. “A pessoa precisa ser internada. Quando se tem esse comprometimento e se perde tempo para chegar ao hospital, ela corre risco de ter uma parada cardíaca e morrer”, alerta José Carlos Versiani.

Pneumologista do Grupo Iron e professora licenciada da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Unirio), Ana Lúcia Maranhão reforça a importância de procurar o médico rapidamente. Segundo a médica, a primeira fase da insuficiência, geralmente na primeira semana, é caracterizada por uma congestão pulmonar.

Depois, muitas vezes, ocorre a fibrose. “Ela é bastante evidenciada e a que temos mais medo de surgir, entre as fases 2 e 3, pois depois é muito difícil de reverter o quadro do paciente”, frisa. O tratamento depende do que causou a SRAG, mas podem ser utilizados antivirais, corticoides e antibióticos.
 
CORONAVÍRUS 
Estudos internacionais indicam que cerca de 5% das pessoas infectadas pelo novo coronavírus apresentam efeitos pulmonares mais severos. O perigo é ainda maior para quem faz parte do grupo de risco para a doença.

Nesses casos, Ana Lúcia Maranhão destaca não ter muitas opções no tratamento além do respirador. O corticoide pode ser utilizado, mas, segundo ela, ainda é controverso entre a comunidade científica e administrado em poucos casos, dependendo do que provocou a SRAG. “Por isso a mortalidade é alta, vai demandar muito do organismo responder”.