Os parques e praças de Montes Claros já estão liberados para que a população possa se exercitar. No entanto, de acordo com decreto municipal, é obrigatório o uso da máscara para se proteger e aos outros frequentadores dessas áreas. No entanto, é muito comum ver pessoas fazendo caminhada ou correndo sem o equipamento de proteção individual (EPI). Mas por que é tão difícil fazer a lei ser cumprida?
 
De acordo com Daisy Motta, pesquisadora do Departamento de Esporte da Escola de Educação Física da UFMG, sabe-se que a máscara provoca grande desconforto na prática de exercícios físicos por dificultar a respiração. E quanto maior a intensidade do exercício, maior a dificuldade de captação de oxigênio para o esportista que está com a máscara. A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou até a postar no Instagram uma não recomendação de uso de máscaras durante a prática de exercícios.
 
Mas o incômodo não é motivo para que as pessoas coloquem a vida delas e dos outros em risco ao realizar uma atividade física. “Se o uso de máscara é obrigatório, então tem que usar durante o exercício. Se houver um maior desconforto durante a prática, então deve-se reduzir a intensidade do exercício ou mesmo interromper a atividade”, afirma a professora.
 
Há vários estudos sobre a transmissão do novo coronavírus entre quem pratica exercícios físicos ao ar livre. Uma pesquisa feita na Holanda, pela Universidade de Tecnologia de Eindhoven, indicou que o ideal é manter uma distância de quatro metros de outras pessoas durante uma caminhada e de dez metros numa corrida. No ciclismo, a distância de segurança chegaria a 20 metros.
 
TROCAS
Como a máscara tende a ficar molhada mais rapidamente quando uma pessoa está realizando uma atividade física intensa (como corrida e ciclismo), o ideal é que o equipamento de proteção seja trocado sempre que estiver úmido. 
 
“O ideal é a pessoa sair de casa com várias máscaras e ir trocando, porque ela perde a capacidade de filtração quando fica úmida”, explica Daisy Motta.
 
Dayse também faz uma alerta sobre a balaclava, uma espécie de bandana usada por ciclistas em dias frios. “Esse tecido é muito fino e não protege contra o coronavírus”, avisa a professora.
 
Ainda não há estudos conclusivos sobre quais máscaras seriam ideais para a prática de esportes, mas a OMS recomenda que as de pano tenham camada tripla, sendo a interna com material mais absorvente (como algodão) e a externa mais resistente. Mas Daisy já adianta que várias empresas internacionais estão desenvolvendo máscaras específicas para essas atividades, visando especialmente os atletas de esportes coletivos.
 
O médico Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, afirma que o mais seguro, neste momento, é que todos façam os exercícios físicos em casa. Mas caso a pessoa saia para correr com máscara, deve redobrar os cuidados. “A máscara úmida perde a efetividade. Por isso, a pessoa que praticou a atividade deve voltar imediatamente para casa e colocar a máscara para lavar. Não deve ficar circulando com essa máscara, nem parar para conversar com outras pessoas”, afirma.
 
Sozinho
Para Daisy Motta, a máscara não é necessária se a pessoa estiver sozinha em um lugar, seja ele interno ou externo. “Se está em um ambiente em que não há ninguém, mesmo externo, teoricamente o uso de máscara não faz mais sentido. Mas se está num local com outras pessoas, mesmo aberto, é muito importante o uso do equipamento. É uma questão de bom senso. Se houver pessoas fazendo exercício no mesmo lugar que você, volte para casa”, orienta.
 
Uma mostra de que os exercícios físicos devem ser feitos com grande distanciamento social, segundo a professora, foi um estudo feito na Coreia do Sul, a partir de 112 pessoas que tiveram sintomas graves da Covid-19 depois de frequentarem aulas de dança.
 
A opção mais segura continua sendo fazer exercícios em casa. Subir escadas, pular corda, fazer agachamento e polichinelo, dançar, fazer ioga ou flexões, acompanhar aulas de exercícios pela internet são algumas sugestões. Há ainda aplicativos que ajudam as pessoas a se manterem em forma com simples práticas.