Brasileiros com sistema imunológico mais frágil, como transplantados, portadores do vírus HIV e pacientes com câncer, devem receber uma terceira dose da vacina contra a Covid-19.

A avaliação foi feita pela secretária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Melo. Segundo ela, a experiência norte-americana – motivada pelo avanço da variante Delta do vírus e pelo relaxamento de medidas sanitárias – de mais uma dose deverá ser acompanhada pelo Brasil.

“Temos alguns estudos preliminares, porém esses estudos não foram publicados. São discussões internas, nem podemos publicizar tanto, em respeito aos pesquisadores. Porém, já estamos tomando decisões em nível de gestão, o que fazer, o que planejar, quantificar esses grupos que precisem, a exemplo do que aconteceu na semana passada nos Estados Unidos”, adianta Rosana Melo.

Caso a estratégia se confirme, os grupos prioritários no Brasil não devem ser diferentes dos priorizados nos Estados Unidos, de acordo com a secretária.

Os países que já aplicam a terceira dose se basearam em estudos que indicam que a imunidade diminui com o tempo. Os especialistas, no entanto, deixaram claro que algumas questões ainda estão em análise. Perguntas sobre quais imunizantes poderão ter uma terceira dose e se uma pessoa poderá tomar o reforço de uma vacina diferente do que tomou inicialmente estão nessa lista.
 
DELTA
Especificamente sobre a variante Delta, a avaliação do Ministério da Saúde é a de que, no Brasil, ela surgiu mais tímida, mas o panorama está mudando. Nesse cenário, o relaxamento de medidas preventivas por parte de gestores da saúde e da população têm contribuído para o aumento do número de casos.

“Entendemos a nossa cultura latina, mas houve um relaxamento mesmo das pessoas mais entendidas em relação a isso”, avaliou Rosana Melo.

Durante audiência pública no Senado, a pesquisadora da Escola de Saúde Pública Sérgio Arouca, Margareth Dalcomo, reconheceu que alguns grupos, como idosos que tomaram a CoronaVac, pessoas com deficiência e profissionais de saúde podem precisar do reforço.

Apesar disso, Dalcomo destacou que ainda não há estudos com robustez suficiente sobre a terceira dose. “Tínhamos parado de hospitalizar pacientes idosos e voltamos a hospitalizar. A grande maioria foi vacinada com CoronaVac”, disse Margareth.

A pesquisadora acrescentou que no monitoramento foi identificada a prevalência da variante Delta no Rio de Janeiro, com o aumento de internações nos últimos dez dias.
 
CAUTELA
Já a diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Meiruze de Sousa Freitas, defendeu que a decisão sobre a aplicação de uma dose extra da vacina contra a Covid-19 seja tomada com cautela.

Segundo ela, para casos de reforço, a maioria dos países tem recomendado doses da mesma vacina já tomada, mas em algumas situações a intercambialidade é permitida.

Meiruze de Souza lembrou ainda a importância de que toda a população seja vacinada com pelo menos duas doses da vacina, o que ainda não aconteceu.

*Com Agência Brasil