Considerada alternativa para combater a obesidade mórbida, doença que coloca mais de 13 milhões de brasileiros no grupo de risco para Covid-19, a cirurgia bariátrica é pouco acessível no país. No ano passado, só dois a cada dez procedimentos feitos foram pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Do total de 68.530 operações realizadas, os planos de saúde viabilizaram 52.699 (77%).

Os dados constam de levantamento divulgado recentemente pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Para a entidade, é importante que o acesso ao recurso pela rede pública de saúde seja ampliado.

Em um hospital particular, dependendo do tipo de operação a ser feita, os valores podem chegar a R$ 40 mil. Segundo especialistas, o montante está bem distante da realidade de parte da população que precisa vencer o excesso de peso.

Atualmente, o SUS oferece 85 serviços de assistência de alta complexidade à atenção ao indivíduo com obesidade em 22 das 27 unidades federativas. O total de bariátricas em 2019 atendeu a 0,5% dos portadores de obesidade graves. 

“O único tratamento comprovadamente eficaz a longo prazo para a obesidade e doenças associadas a ela como, por exemplo, o diabetes e a hipertensão, é praticamente inacessível”, avaliou o presidente da Sociedade, Marcos Leão Vilas Boas. 
 
INCLUSÃO 
A entidade defende a inclusão da cirurgia metabólica – indicada para portadores de diabetes que não conseguem o controle da doença com medicamentos – no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O procedimento, que já foi regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), atualmente está em consulta pública na ANS para obter a cobertura pelos planos de saúde.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica informou que, nos últimos anos, conduziu estudos de custo e efetividade e também estudos clínicos randomizados que comprovam a remissão do diabetes em pacientes que passam pela cirurgia metabólica. A entidade propõe que a cirurgia, hoje oferecida aos pacientes com obesidade, seja coberta também para pacientes com diabetes tipo 2.

“Nós temos a cirurgia para o diabetes plenamente regulamentada por uma série de resoluções, mas essa tecnologia não está plenamente acessível no SUS e aos usuários dos planos de saúde. A cirurgia demonstra, tanto no Brasil quanto fora, que é extremamente custo-eficaz. O impacto orçamentário é adequado e capaz de ser absorvido pelo sistema de saúde. O setor teria impacto de apenas dez centavos por mês e por usuário”, afirmou Vilas Boas. 

*Com Agência Brasil